Artistas fazem festa com Barbosa; Dilma evita sorriso

Convidados e parentes comemoram ascensão de Barbosa ao comando do Supremo: 'Estou muito orgulhosa do Dito', diz mãe

FELIPE RECONDO, EDUARDO BRESCIANI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h20

Às 15h21, o ministro Joaquim Barbosa adentrou o plenário do Supremo Tribunal Federal ao lado da presidente Dilma Rousseff. Começava a sessão que empossou o primeiro negro como presidente da Corte. Ambos estavam sérios - Dilma ficaria assim até o fim da sessão. Barbosa dizia que a posse era uma "honra a mais", algo previsível para um integrante do tribunal. Para seus convidados e principalmente para sua mãe, Benedita Gomes da Silva, motivos não faltavam para festejar o momento.

"Estou muito orgulhosa do Dito", disse Benedita, que posava sorridente para fotos ao lado dos filhos e netos. "Jamais imaginei estar aqui ou uma coisa destas na vida. Mas posso te dizer que é merecido. Ele sempre foi muito estudioso. É muito dedicado", afirmou a mãe, com os olhos marejados. "Estou muito feliz. Nem sei quanto."

Cantores e atores convidados para a posse comemoraram a ascensão de Barbosa. Muitos inclusive ressaltavam a trajetória de vida que o próprio ministro prefere tratar com discrição. "É um momento importante, não só pela negritude, mas por ser pobre, filho de pobre. É um estímulo para os jovens de hoje", disse o cantor e compositor Martinho da Vila. "Mais uma vez o sol brilhou no STF", afirmou o ator Milton Gonçalves.

Barbosa se manteve sério até a conclusão do Hino Nacional, tocado pelo bandolinista Hamilton de Holanda. Ao fim, o primeiro sorriso. Dilma estava impassível. Barbosa foca sua atenção na primeira fila, onde estão sua mãe e seu filho, Felipe. Às 15h32, Barbosa é empossado. Os convidados o aplaudem de pé - alguns chegam a gritar.

Barbosa sorri, caminha na direção de Dilma. A presidente lhe estende a mão num cumprimento frio. Depois é empossado vice-presidente Ricardo Lewandowski. Dilma lhe cumprimenta com dois beijos no rosto.

Até aquele momento, Barbosa resistia às dores nas costas e não havia trocado a cadeira desconfortável do Supremo por uma anatômica, que o acompanha há anos. O senta e levanta da sessão - para a entrada dos ministros, para ouvir o hino - ajuda.

A palavra é passada a Luiz Fux, para o discurso de saudação. Foram 42 minutos que colocaram à prova as dores na espinha, como ele define. Antes de pedir que lhe troquem a cadeira, tira os óculos e seca o suor com um lenço.

Barbosa havia pedido que os discursos fossem curtos. Fux destoou. Apesar da monotonia, que fez o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, bocejar duas vezes, Fux ouviu aplausos ao citar o mensalão. Às 16h41, Barbosa se levantou para fazer seu discurso. A toga ficou presa sob uma das rodas da cadeira. Dilma o ajudou. O novo presidente falou baixo, pausadamente. Um clima bem diferente de qualquer sessão de julgamento do mensalão.

Barbosa e Lewandowski serão presidente e vice por dois anos.Ontem, a dupla que teve ríspidas discussões nos últimos meses estava em sintonia. No Salão Branco, antes da sessão, Barbosa tropeçou e caiu em um tablado onde as autoridades aguardavam o início da cerimônia. Lewandowski lhe estendeu a mão e ofereceu um copo d'água.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.