Arminio Fraga alega ser 'mal interpretado'

Em entrevista promovida pela Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil, ex-presidente do BC comenta sua posição sobre o papel do BNDES e do Banco Central

Francisco Carlos de Assis e Fernando Ladeira, O Estado de S. Paulo

20 de outubro de 2014 | 18h59

 São Paulo - O ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, nome indicado para o Ministério da Fazenda num eventual governo de Aécio Neves (PSDB), disse nesta segunda-feira, 20, estar sendo "frequentemente mal interpretado" sobre a atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Em entrevista promovida pela Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil, Armínio afirmou que "não tenho nenhuma dúvida da importância que o BNDES tem na economia brasileira". Para ele, o que se questiona são alguns critérios para a concessão dos empréstimos feitos pelo banco brasileiro de fomento.

Fraga reconheceu que a infraestrutura brasileira enfrenta problemas e que o BNDES é a melhor instituição para resolver essa situação. Armínio esclareceu que não possui uma meta para o tamanho da instituição, mas defendeu uma transparência maior para a concessão de empréstimos. "Algumas coisas que eu disse sobre o BNDES foram pinçadas fora do contexto", afirmou.

A fala de Arminio Fraga ocorre em meio à discussão sobre o papel dos bancos públicos tem gerado debate entre as candidaturas de Dilma Rousseff e Aécio Neves. Recentemente, o ex-presidente do BC vem sinalizando que, em um eventual governo tucano, diminuiria a participação dos bancos públicos na economia.

BC. Além disso, Arminio também comentou seu posicionamento sobre o Banco Central."Não acredito num Banco Central como sendo o quarto poder", disse. Fraga participou nesta tarde de uma videoconferência promovida pela Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (Anabb). A afirmação do ex-BC é uma resposta à presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff, que disse que os bancos não podem ser o "quarto poder", ao justificar o porquê de não concordar com a independência do BC.

"Eu acredito num BC que assume responsabilidades e faz isso com transparência", disse Fraga, acrescentando que o BC, quando a inflação foge da meta, deve agir.

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