Áreas de baixa renda são desafio para Chalita

Nas eleições de 2008 e 2010, pré-candidato do PMDB teve votação abaixo da média em regiões onde o PT é mais forte

DANIEL BRAMATTI, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2012 | 03h03

O mapa do eleitorado de Gabriel Chalita nas últimas duas eleições revela um padrão de votação oposto ao do PT na capital paulista. Quando concorreu a vereador, em 2008, e a deputado federal, em 2010, o atual pré-candidato do PMDB à Prefeitura teve desempenho abaixo de sua média nos extremos das zonas leste, sul e noroeste - áreas de baixa renda onde petistas colheram seus melhores resultados.

Nas duas eleições, o eleitorado de Chalita se distribuiu de forma similar. Em 2008, das 57 zonas eleitorais então existentes, obteve votação acima de sua média em 25 . Em 2010, dessas 25, 21 voltaram a aparecer no ranking dos melhores resultados (veja quadro).

O mapa indica que essas são as regiões com eleitorado mais receptivo ao discurso de Chalita, autor de livros de fundo religioso, ex-secretário estadual de Educação e ex-apresentador de programas da Rede Canção Nova, emissora de televisão ligada à Igreja Católica.

Como candidato a prefeito, o peemedebista terá menos adversários diretos e maior exposição na propaganda eleitoral, o que pode alterar a distribuição geográfica de seus eleitores.

Mas já houve casos em que o padrão de votação foi similar em eleições para a Câmara dos Deputados e para a Prefeitura de São Paulo. Em 2008, Paulo Maluf (PP) concorreu a deputado federal e teve votação acima da média em 28 zonas eleitorais da capital. Dois anos depois, quando se candidatou a prefeito, voltou a ter desempenho acima da média em 23 daquelas 28 zonas.

Sobreposição. Se o mapa eleitoral de Chalita se repetir em 2012, ele poderá tirar votos do PSDB, cujo eleitorado tem perfil geográfico mais parecido. Mas a área mais "chalitista" da cidade é também o principal alvo eleitoral do PT, que pretende quebrar a tradicional resistência da classe média paulistana a seus candidatos.

O próprio Chalita, um ex-integrante do PSDB, teve, em 2010, maior penetração em áreas de classe média fronteiriças ao chamado centro expandido: Santana (zona norte), Campo Limpo, Santo Amaro (ambas na zona sul), Mooca (sudeste) e Penha (leste). Nessas zonas eleitorais, teve votação até 60% superior à sua média.

No outro extremo, as duas zonas onde o então candidato à Câmara dos Deputados conquistou menos eleitores foram Guaianases e Cidade Tiradentes, ambas situadas na ponta mais pobre da zona leste - tradicional reduto petista. Lá, Chalita teve menos da metade da votação média na capital.

Religião. Como possível caminho para chegar ao eleitorado de baixa renda, Chalita busca alianças com setores evangélicos. Sua primeira coligação anunciada foi com o Partido Social Cristão (PSC), que conseguiu eleger 17 deputados federais em 2010, a maioria vinculados a igrejas evangélicas.

Graças à aliança com o PSC, o candidato do PMDB também terá 40 segundos a mais em cada bloco de propaganda eleitoral no rádio e na televisão.

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