Araponga saiu em defesa de Protógenes

Escuta da PF desmonta tentativa do deputado de esconder proximidade com o 'amigo' Dadá

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2012 | 03h08

Flagrado em conversas embaraçosas com o araponga Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, operador do esquema do contraventor Carlos Cachoeira, o deputado Protógenes Queiroz (PC do B-SP) disse ontem que manteve apenas conversas formais com Dadá.

Apesar da tentativa do deputado de esconder sua proximidade com Dadá, pelo menos duas interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo mostram que da parte do braço direito do contraventor, a situação era outra.

Dadá não apenas fala de sua amizade por Protógenes, como também diz que chegou a se indispor com o então delegado da PF, Daniel Lorenz, para defender o amigo. No grampo de mais de 5 minutos, no dia 20 de dezembro de 2011, Dadá conversa com o policial civil Ventura, da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, sobre a nomeação de Lorenz para comandar o órgão.

O araponga diz que Lorenz "é um cara bom", mas acrescenta: "Meu problema com ele é que ele queria que eu botasse o Protógenes na mão dele e esse negócio é o seguinte, cara, você vai para vala com os amigos, né".

Em outra conversa, no dia 14 de janeiro do ano passado, Dadá conta para um determinado Serjão que tentou arrumar emprego no gabinete de Protógenes para uma ex-secretária do deputado Laerte Bessa (PMDB-DF), derrotado na eleição. No meio da conversa ele diz: "Aí eu liguei para o Protógenes, eu sou muito amigo do Protógenes, ele está na Bahia. Falei: Protógenes em seu gabinete como é que tá? Ele disse, tá fechado, não tem jeito de botar mais ninguém".

Mais na frente, o diálogo chama a atenção por ser um dos poucos em que Dadá fala o nome completo de Cláudio Monteiro, chefe de gabinete do governador Agnelo Queiroz, que deixou o cargo na terça-feira para se defender da acusação de receber propina para favorecer empresas de limpeza urbana. Dadá pergunta a Serjão: "O pessoal foi lá no Cláudio Monteiro ou não.... mas que foram, foram, né?". No final, ele retoma o nome do ex-auxiliar de Agnelo para falar da nomeação do diretor do Serviço de Limpeza Urbana. "Amanhã, os meninos vão estar com Cláudio Monteiro, só pra saber como é que está a questão do SLU, quando é que o João Monteiro assume".

Autor do requerimento para criação da CPI do Cachoeira, Protógenes afirmou anteontem que os diálogos não o impediam de compor a comissão, já que não tinham relação com o grupo de Carlinhos Cachoeira.

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