Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Após votar, Lula diz que só conhece Youssef pelas páginas policiais

Ex-presidente afirma estar 'tranquilo' em relação a acusações do doleiro e mostra confiança de que Dilma continuará na Presidência

Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2014 | 11h44

SÃO BERNARDO DO CAMPO - O ex-presidente Luiz Inácio da Silva disse ao deixar a escola em que votou neste domingo, 26, pela manhã em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, que está "tranquilo" em relação às acusações do doleiro Alberto Youssef. Ele teria dito que Lula sabia de esquema de corrupção da Petrobrás. "Estou tranquilo. Acho que esse Youssef deve ter contado uma mentira. Eu não sei o que prometeram a ele, porque o cara que está com delação premiada, ele recebe promessa", disse.

Lula afirmou ainda que seu nome pode ter mesmo sido citado, mas afirmou que acredita em algum interesse eleitoral. "É bem possível que ele tenha falado, ele está fazendo delação premiada. Está recebendo prêmio de tempo de cadeia para ferrar alguém", disse.

O ex-presidente disse que está com consciência tranquila e que não conhece Youssef. "Lamentavelmente, só conheci esse cidadão pelas páginas policiais", afirmou. "Mas acho que a gente não tem que ficar nervoso, nada como um dia após o outro", disse Lula.

Depois desta fala, Lula brincou com um repórter do humorístico Pânico, da Band, e pegou seus óculos, dizendo que era uma demonstração de que não estava em pânico.

No sábado, Lula já havia desqualificado a reportagem da revista Veja, na qual Youssef faz as declarações e disse que a revista teve uma "atitude de má fé, leviana, mesquinha" para tentar influenciar as eleições.

Questionado neste domingo sobre o fato de outros veículos, como o Estado e a Folha de S.Paulo, terem veiculado matérias sobre o tema, Lula disse que os jornais "não confirmaram, reproduziram a Veja".

O ex-presidente disse ainda que está estudando se vai ou não processar a revista. "Vamos pensar. Não tenho que tomar decisão agora. A Veja levou quantos meses pensando nessa matéria? Por que eu tenho que pensar agora?", disse.

Confiante em Dilma. Lula afirmou que tem "muita esperança e muita expectativa" de que a presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), vencerá as eleições presidenciais.

"Dilma fez uma campanha mais madura, uma campanha tentando politizar e discutir os temas nacionais e por isso eu acho que ela vai ganhar a credibilidade do povo brasileiro hoje", afirmou.

Demonstrando confiança, Lula disse que Dilma estará na Presidência da República a partir do dia 1º de janeiro "para fazer um governo muito mais ousado". "E, como ela mesma diz na propaganda dela, fazer mais do que foi feito no primeiro (mandato)", completou o político. 

O ex-presidente também voltou a afirmar que o resultado que sairá das urnas é o retrato da "consciência política" dos brasileiros. "Cada eleição, para mim, é a consagração de mais um dia de convivência e de aperfeiçoamento democrático do nosso País", disse. 

Lula ressaltou ainda que, "diferentemente de outros países", no Brasil "a gente aprendeu que quem ganha leva, quem ganha governa". "Nós temos países que depois dos resultados das eleições ficam oito meses, um ano brigando", afirmou.

Ele disse ainda ser testemunha viva do processo eleitoral brasileiro e lembrou que todas as vezes que perdeu a eleição começou a se preparar para outra. "Não fiquei chorando o leite derramado", disse.

O ex-presidente falou que o vencedor deste domingo "vai ser a personalidade do ano na governança brasileira" e que vai ser preciso ter um aprendizado difícil de convivência com o congresso nacional. 

"Não é fácil o jogo de você montar uma coalizão com 28 partidos dentro da Câmara, mas é assim porque quis o povo brasileiro que fossem eleitos tantos deputados e tantos partidos políticos", ponderou.

Ele disse ainda que, em vez de ficar reclamando, é preciso "começar a pensar como construir a engenharia de governabilidade nesse país". "Sem esquecer que o mais importante de tudo é a relação que o governo deve ter com a sociedade e dentro da sociedade, sobretudo, de setores organizados na sociedade", disse.

De acordo com Lula, o Brasil está ávido para chegar a ser a quinta maior economia do mundo e está se preparando para isso há muito tempo. "Nós vamos ter, daqui a alguns anos, uma geração infinitamente melhor do que a nossa porque teve mais possibilidades, estudou mais, aproveitou melhor as oportunidades porque o mercado de trabalho também está cada vez mais exigente", avaliou.

"Acho que esse conjunto de coisas que foram feitas nesses últimos anos permite que a companheira Dilma seja eleita presidente da República", concluiu. 

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