Após trégua na Justiça, campanha de Dilma mantém ataques e Aécio usa ironias

Após trégua na Justiça, campanha de Dilma mantém ataques e Aécio usa ironias

Horário eleitoral petista relembra investigação sobre repasse de dinheiro público a veículos de comunicação e apreensão de CNH do adversário; tucano repete críticas à adversária

Lilian Venturini, O Estado de S. Paulo

23 de outubro de 2014 | 09h24

Atualizado às 12h10

São Paulo - No dia seguinte ao acordo entre as campanhas dos presidenciáveis por uma trégua no horário eleitoral, a propaganda de Dilma Rousseff (PT) na rádio manteve ataques ao adversário Aécio Neves (PSDB), nos programas veiculados nesta quinta-feira, 23. A campanha petista reproduziu notícias sobre repasses de recursos a rádios da família do tucano e lembrou o episódio em que foi flagrado com a carteira de habilitação vencida. Já a propaganda de Aécio repetiu críticas à gestão petista e aos ataques dirigidos contra ele.

O trecho com as provocações apareceu nos minutos finais do programa petista. "Pessoal, vocês souberam da última? O Ministério Público está investigando os repasses de dinheiro que o Aécio fez para as rádios da família dele quando ele era governador de Minas", afirmou um dos locutores. "Que coisa feia hein?", emendou outro locutor.

O programa, repetido no horário eleitoral do meio-dia, disse usar como fonte uma reportagem do Estado sobre o caso. A investigação, no entanto, foi iniciada em 2012 para apurar repasses feitos pelo governo do Estado à Rádio Arco-Íris entre 2003 e 2010, época em que o tucano comandou o Executivo mineiro. A abertura do inquérito foi publicada pelo Estado em 2012. Na ocasião, Aécio afirmou que os repasses eram legítimos e feitos igualmente entre outras emissoras do Estado. O inquérito foi encerrado no mesmo ano porque, segundo o então procurador-geral Alceu José Torres Marques, não foram encontradas irregularidades. Em abril, Marques foi nomeado secretário de Meio Ambiente em Minas.

Ao mencionar a investigação, a campanha petista destacou ainda que o vínculo de Aécio com a rádio tornou-se público quando o tucano "foi pego dirigindo com a habilitação vencida". A apreensão do documento ocorreu em 2011, quando o então senador se recusou a fazer o teste do bafômetro em uma blitz. O tucano usava um carro comprado em nome da emissora. A recusa do bafômetro chegou a ser explorada pela campanha petista em propagandas e foi uma das peças suspensas pela Justiça Eleitoral nos últimos dias. No programa desta quinta, o PT só fez referência à apreensão da CNH, sem mencionar o teste. O episódio foi relembrado pelo próprio candidato durante o debate do SBT, na semana passada, quando ele confirmou ter se recusado a fazer o teste por estar com a carteira vencida.

 

A relação entre Aécio e rádios mineiras voltou à campanha eleitoral deste ano depois de uma reportagem da Folha de S.Paulo, publicada na semana passada, afirmar que o governo mineiro não informou as despesas com publicidade oficial a veículos de comunicação controlados pela família do candidato tucano. Aécio evitou comentar o caso e disse que as explicações deveriam ser feitas pelo atual governo.

Trégua. Os novos ataques ao adversário são reproduzidos um dia depois de as equipes de Dilma e Aécio formalizarem um acordo para fazer uma campanha mais "propositiva". Na noite dessa quarta-feira, 22, as coligações desistiram de todas as ações protocoladas com pedidos de suspensão de propagandas.

O recuo foi uma reação às seguidas punições aplicadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às duas campanhas. Em dois dias, Dilma perdeu 5min50s e Aécio, 2min30 em razão da troca de ataques considerados excessivos pelo TSE. O acordo foi anunciado pelo tribunal por volta das 20 horas na noite dessa quarta. De acordo com a norma eleitoral, os programas de rádio a serem veiculados às 7 horas devem ser enviados pelas campanhas até as 22 horas do dia anterior.

Críticas. A despeito do acordo pelo fim dos ataques, as críticas mútuas continuaram presentes no horário eleitoral desta manhã. Dilma reproduziu trechos do programa exibido na noite dessa quarta-feira em que afirma que seu adversário só a critica e não apresenta "propostas concretas". Os locutores repetiram ainda as comparações entre as gestões tucanas e petistas, e propostas para áreas da saúde, para inclusão social e para o combate à corrupção.

A propaganda tucana fez um programa dedicado a pedir votos e apoio da militância, mas contendo ironias contra o atual governo. "Dilma você é ruim de serviço, faz tempo que reclamo disso. Mas domingo vou mudar", dizia um jingle. A campanha ainda repetiu declarações de Aécio em que ele reclama dos ataques feitos pela adversária e pela veiculação de "mentiras" contra ele. Parte do horário eleitoral foi usada para reapresentar propostas para segurança, saúde e educação.

A participação de Marina Silva (PSB), exibida no horário eleitoral da TV, também foi reaproveitada, com destaque para o trecho em que a ex-ministra acusa a petista de adotar uma "estratégia destrutiva" na campanha. "Com seus compromissos, Aécio acende uma luz na escuridão desta campanha eleitoral. Não se deixe enganar por acusações sem fundamento que a campanha de Dilma está fazendo contra Aécio", afirmou Marina.

As declarações de Renata Campos, viúva do ex-governador Eduardo Campos, também foram reapresentadas. "Aécio representa não um partido, mas um conjunto de forças que se juntaram neste segundo turno para dar esse caminho de mudança que o Brasil pediu nas urnas", disse. A participação de Renata foi levada ao ar pela primeira vez nessa quarta. / Colaborou Stefânia Akel

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