DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Após tiros em ônibus de Lula, deputados do PT cobram Jungmann

Petistas afirmam que, se algo acontecer com ex-presidente, a culpa será do governo federal e do governo do Paraná

Isadora Peron, Daiene Cardoso e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

27 Março 2018 | 21h21

BRASÍLIA - Deputados do PT se reuniram com o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, para cobrar providências do governo federal em relação aos ataques sofridos pela caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dois ônibus do comboio petista foram atingidos por tiros nesta terça-feira, 27.

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Petistas têm dito que, se algo acontecer com Lula ou qualquer integrante da caravana, a culpa será do governo federal e do governo do Paraná, que o partido acusa negligência em relação à segurança do ex-presidente.

Desde que iniciou a caravana pelo Sul, na semana passada, Lula tem enfrentado protestos por onde passa. Ontem, a comitiva já havia sido atacada com pedras e ovos.

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O deputado Leo de Brito (PT-AC) subiu à tribuna da Câmara e anunciou que os petistas estavam cobrando providências de Jungmann. Brito disse que o PT repudia o atentado por considerá-lo uma prática de intimidação e medo, "típica da ditadura".

O parlamentar chegou a dizer que houve uma tentativa de assassinato do ex-presidente Lula. "Não queremos que esse processo termine com um cadáver na mesa", discursou.

Em nota, a presidente cassada Dilma Rousseff afirmou que o ataque foi uma tentativa de intimidar o ex-presidente, episódio que ela classificou de "inaceitável". "Não estamos mais nos anos 50 do século passado, ou na ditadura militar, quando a eliminação física de adversários políticos era uma constante no Brasil e na América Latina. Essa prática não pode ser tolerada", escreveu.

'Ataque contra todos'

O líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ), afirmou que as pessoas não devem ver os tiros contra os ônibus de Lula apenas como um ataque contra o PT, e sim contra todos. Em discurso no plenário, ele avaliou que o Brasil está entrando num "momento novo" de violência política.

"Não é questão de defender PT, Lula, nada disso. Não é coisa só da esquerda, não. Não é coisa só da esquerda! Eu acho que a gente tinha de fazer um movimento amplo neste País, de forças políticas amplas, uma frente contra um discurso fascista. Não é só discurso de ódio e de intolerância; nós estamos partindo para agressões físicas fascistas. Então, eu acho que esse é um movimento muito importante. As pessoas não devem olhar isso como algo contra o Lula ou contra a Dilma, porque isso vai vir para tudo que é lado", declarou.

Ele disse que esteve com a ex-presidente Dilma Rousseff ontem e que ela também contou que foi vítima de ataques. "Quebraram o vidro do ônibus. Ela estava numa cadeira; quebraram outro vidro do ônibus dela. Em outro momento, me contou a Presidenta Dilma, quebraram o vidro do motorista. O ônibus saiu da pista. É uma cena de, sabe, querer destruir, querer atacar, querer matar. Então, é algo muito grave", avaliou Lindbergh.

Ainda de acordo com o senador, ele recebeu informações de que, durante os trajetos percorridos pela caravana de Lula pelo Sul do País, em vários momentos os participantes do ato foram cercados e as pessoas ficam em pânico. Ainda assim, disse que é preciso "insistir na capacidade de buscar o diálogo".

Lindbergh também elogiou o discurso do senador Cristovam Buarque (PPS-DF), que demonstrou preocupação com a violência contra políticos. Cristovam avalia que "haverá mortes se isso continuar". "Quero deixar a minha solidariedade com aqueles que estão sendo vítimas neste momento desses atos violentos, como eu fui e não apenas uma vez, algumas vezes eu fui, com ovos inclusive também. Mas é mais do que solidariedade, é a preocupação. Ninguém controla um processo desse se ele não for paralisado pela consciência geral das pessoas, nem a polícia garantindo o processo paralisará. A polícia garante numa manifestação, depois em outra, em outra, em outra, mas, no conjunto, não garantirá."

No plenário, Cristovam afirmou ainda que políticos podem acabar sendo mortos "por uma pedrada, que às vezes mata; por um tiro, que ninguém vai saber de onde vem, mas com a clareza de ato político". "Isso acontecendo, não é uma questão de acender um barril de pólvora, é uma questão de arrebentar vulcões em todo este País. E aí, o final a gente já sabe: todos serem derrotados do ponto de vista da democracia." 

Críticas à Polícia Rodoviária Federal

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) criticou a atuação da Polícia Rodoviária Federal diante de atos de violência contra a caravana de Lula.

"No primeiro dia, foi ovo; no segundo dia, foi pedra; no terceiro dia, foi barra de ferro; e agora, arma de fogo. Tiro contra o ônibus do Presidente Lula. E por que muitas vezes as pessoas se sentem livres, se sentem à vontade para praticar esses atos de violência? Porque elas são incentivadas para fazer isso", disse a senadora.

Ela também insinuou que o deputado Jair Bolsonaro, pré-candidato à presidência, incita violência e "sobe nos palanques para dizer que trabalhador sem terra, movimentos organizados dos trabalhadores têm que ser recebidos à bala".

"Nós temos pensamentos diferentes, todos. Há uma parte da população que defende o Presidente Lula, o ex-Presidente, e uma parte que é contra o ex-Presidente Lula. Agora, essa parte que é contra não tem o direito de fazer o que está fazendo, e muito menos os senhores senadores ou as senhoras senadoras não têm o direito de subir na tribuna e aplaudir atitudes violentas como essa, porque aplaudir atitudes violenta é um incentivo ao crime, é um incentivo ainda maior à violência." 

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