Após reunião com Dilma, Renan desiste de votar projeto para BC

Presidente do Senado diz que posições contrárias ao projeto mostram que debate sobre o tema não está 'amadurecido'

Débora Álvares / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2013 | 02h12

Após criar um clima tenso com o Palácio do Planalto na última semana ao insistir em colocar em votação a proposta que fixa mandatos para diretores do Banco Central (BC), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), desistiu da ideia após uma reunião nessa segunda-feira, 4, com a presidente Dilma Rousseff. Ele disse que recuou por causa das resistências do governo e da oposição ao projeto que, em sua visão, "parecia maduro".

"Os governos são contra a regulamentação. A oposição também. Então isso, na verdade, interditou o debate que parecia amadurecido e, evidentemente, pelas posições assumidas, não está", disse, após mais de duas horas de reunião com a presidente.

Renan argumentou que decidiu pautar a proposta devido à necessidade de regulamentar o artigo da Constituição Federal que trata do Sistema Financeiro e do Banco Central. "Nós temos uma comissão que está regulamentando a Constituição Federal. Um dos artigos que precisa ser regulamentado é o artigo 152, que trata do Sistema Financeiro e do Banco Central", disse o presidente do Senado.

Política. Renan, contudo, assegurou que o projeto nem sequer foi mencionado no encontro com a presidente Dilma. Ao retornar para o Senado, ele defendeu a aliança do PMDB com o PT, que qualificou como "excepcional", e disse que política foi o assunto da reunião.

Segundo seus interlocutores, a ameaça de votar a proposta do BC foi uma forma de pressionar o Planalto a abrir negociações sobre questões de seu interesse. Em especial, das relações entre PT e PMDB nos palanques estaduais e a condução do senador Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB) ao Ministério da Integração Nacional. Mas Renan também negou que reforma ministerial tenha sido um dos assuntos da reunião. "Não tratei nada de governo, de indicação de reforma, não seria o caso. A presidente, no momento que entender que vai conversar sobre isso com os partidos, ela vai conversar, mas ela tem um calendário próprio na cabeça."

Ele disse que a presidente continua preocupada com a política fiscal do País, mas não destacou nenhum pedido específico sobre votações no Congresso.

Segundo Renan, o Senado terá "uma semana gorda". Nesta terça-feira, 5, os senadores devem apreciar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Orçamento impositivo. Para amanhã estão previstas a votação da PEC do voto aberto e a da troca do indexador das dívidas estaduais.

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