Após queda de Denucci, aliado de Mantega perde posto no BNDES

Em meio a uma série de ataques da oposição para que explique no Congresso a demora na demissão do ex-diretor da Casa da Moeda Luiz Felipe Denucci, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, começou a perder aliados em cargos importantes do País. Seu pupilo Élvio Lima Gaspar foi substituído ontem por Guilherme Lacerda na diretoria de Infraestrutura Social, Meio Ambiente e Inclusão Social do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

JOÃO DOMINGOS, RICARDO BRITO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2012 | 03h08

Élvio Gaspar foi chefe de gabinete de Mantega no Ministério do Planejamento (janeiro de 2003 a novembro de 2004) e acompanhou o chefe quando este se transferiu para o BNDES (novembro de 2004 a março de 2006), quando foi promovido à função de diretor. O Diário Oficial da União de ontem publicou a nomeação de Guilherme Lacerda para o lugar de Élvio.

Guilherme Lacerda é filiado ao PT e ligado ao ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e aos ex-ministros Antonio Palocci (Casa Civil) e Luiz Gushiken (Comunicação Social). Foi presidente da Fundação dos Economiários Federais (Funcef), o fundo de pensão da Caixa Econômica Federal durante os dois governos de Lula. Saiu para ser candidato a deputado federal na eleição de 2010 pelo Espírito Santo. Mas, apesar de ter feito uma das campanhas mais caras (R$ 2 milhões declarados), ficou na segunda suplência.

Na substituição de Élvio Gaspar por Guilherme Lacerda, a decisão foi tomada dentro do governo, pela presidente Dilma Rousseff e pelo ministro Fernando Pimentel. A troca foi comunicada a Mantega há pelo menos um mês, com a justificativa de que era necessário abrigar um petista histórico, que participou da coordenação da equipe de Lula nas campanhas de 1989 e 1994 e foi coordenador-geral no Espírito Santo em 2002, ano da primeira vitória do ex-presidente.

Ofensiva. No Congresso, Mantega terá de contar com a ajuda de deputados e senadores da base aliada para se livrar das convocações dos partidos de oposição. Mas sua situação está um pouco complicada porque o presidente da Comissão Mista do Orçamento, senador Vital do Rego (PDT-PB), ameaça convocá-lo para tratar de questões orçamentárias, o que poderia levar a oposição a aproveitar a deixa e fustigá-lo com vários questionamentos.

O senador afirmou que se fosse apenas pelo caso envolvendo a nomeação e a demissão do ex-presidente da Casa da Moeda Luiz Felipe Denucci, "pessoalmente", não chamaria Mantega. Mas, segundo ele, é possível rediscutir o orçamento porque haverá um aporte de R$ 24 bilhões com a privatização dos aeroportos e um aporte bilionário com o futuro leilão 4G.

Pela oposição, requereram a convocação de Mantega o deputado Mendonça Filho (DEM-PE), o líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR) e o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR).

Diante da onda de ataque que se avizinha, o Palácio do Planalto começou a instruir os líderes a dar prioridade absoluta para evitar que a oposição consiga levar o ministro da Fazenda ao Congresso. Nesse contexto, o líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), está tentando convencer a oposição a retirar os requerimentos de convocação de Mantega sob o argumento de que ele irá ao Senado em março, pois de seis em seis meses comparece à Casa para falar sobre a economia do País.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), engorssa o coro contra convocação. "O ministro não deve vir falar sobre esse caso. Essa é a orientação da base. Não temos que politizar esse fato e criar uma crise fictícia", afirmou Jucá.

Suspeita. Denucci foi demitido sob suspeita de ter recebido propina de fornecedores da Casa da Moeda e de ter aberto offshores em paraísos fiscais para a movimentação de R$ 25 milhões.

Na sexta-feira passada, Mantega admitiu ter sido avisado em 2010 que Denucci tinha tido um problema em 2001 com a Receita Federal, mas afirmou não ter visto motivo para demissão naquela ocasião. O ministro da Fazenda também é questionado sobre o motivo de ter aceitado a indicação do PTB para abrigar Denucci para um cargo eminentemente técnico. O PTB nega tê-lo indicado para o posto.

Sucessor. Mantega está à frente da Fazenda desde a queda de Antonio Palocci em 2006. Desde então, os resultados da equipe econômica e a confiança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva são os principais atributos para que ele permaneça no cargo, pois o ministro tem pouco inserção nas correntes do PT.

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