Após propor pacto, governo avança em projetos na Saúde

Ministério detalha plano de trazer médicos estrangeiros, que terão treino de 3 semanas no País; outra meta é criar 14 mil vagas de residência

Lígia Formenti / Brasília, O Estado de S.Paulo

26 Junho 2013 | 02h11

Após a presidente Dilma Rousseff incluir anteontem a saúde entre os cinco pactos necessários à classe política para responder "à voz das ruas", o governo procurou ontem apressar anúncios para a área, com destaque para o projeto de financiamento da vinda de médicos estrangeiros para o Brasil.

Profissionais interessados em trabalhar nos postos públicos de saúde de regiões carentes terão a passagem paga pelo Ministério da Saúde e, ao chegar, ficarão três semanas em um processo de avaliação e treinamento. Caso o desempenho não corresponda às expectativas, eles não serão admitidos no programa, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

O ministro alertou que uma série de detalhes ainda precisa ser acertada. Oficialmente, não há data para o lançamento do edital, número fechado de profissionais que serão contratados nem como será feito o reembolso da passagem, caso os profissionais não sejam admitidos no programa. Ele garantiu, porém, que os médicos chegarão ao País até o fim do ano. Padilha reiterou que os profissionais terão a proficiência em português avaliada. Mas já avisou que a língua, por si só, não será uma barreira. "É só ver o exemplo dos Médicos sem Fronteiras (organização internacional)."

A expectativa é de que sejam recrutados 10 mil profissionais. Um edital será lançado a partir da demanda feita por prefeitos. Somente poderão participar do processo cidades do Programa de Requalificação de Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Para driblar as críticas de entidades de classe, o edital dará prioridade para médicos brasileiros. "Não haverá nenhum tipo de disputa com profissionais vindos do exterior", disse o ministro. O recrutamento de médicos estrangeiros para trabalhar no Brasil vem sendo discutido pelo governo desde 2012, a pedido da presidente Dilma.

A justificativa é de que faltam médicos no País e o problema vai aumentar ainda mais com a criação de pelo menos 35 mil postos de trabalho - fruto da abertura de postos de atendimento. O recrutamento de médicos seria uma alternativa a curto prazo para a falta de profissionais. Outras estratégias, como ampliação de cursos de Medicina e de residência, também foram apresentadas. Os resultados são mais demorados.

Pacto. O pacto anunciado pelo governo prevê a criação de 14 mil vagas para residência médica até 2017 - 2 mil neste ano. Para a iniciativa, serão investidos R$ 100 milhões. Além do pagamento das bolsas de residência, o governo vai reservar recursos para ampliação da infraestrutura. Segundo Padilha, instituições argumentavam ter interesse em residência, mas faltava verba, por exemplo, para ampliar dependências.

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