Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Após ouvir infectologistas, TSE decide retirar biometria das eleições 2020

Corte Eleitoral aponta possibilidade do aumento de chance de infecção pelo coronavírus e a possibilidade de maior aglomeração com o uso do sistema

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2020 | 09h46

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou nesta quarta-feira, 15, que vai retirar a necessidade da identificação por biometria na votação das eleições municipais deste ano. A decisão foi tomada em meio à pandemia do coronavírus, após recomendação feita por infectologistas.

A possibilidade do aumento da chance de infecção, uma vez que o leitor do sistema não pode ser higienizado frequentemente, e a possibilidade de aglomerações nas seções eleitorais foram determinantes para a medida, segundo o TSE. O  presidente da Corte eleitoral, ministro Luís Roberto Barroso, ouviu os médicos David Uip, do Hospital Sírio Libanês, Luís Fernando Aranha Camargo, do Albert Einstein, e Marília Santini, da Fundação Fiocruz. A decisão deverá ser levada a referendo do plenário do TSE.

Por causa da pandemia da covid-19, as eleições municipais de 2020 foram adiadas de outubro para novembro. A proposta de emenda à constituição (PEC) que altera as datas foi aprovada na Câmara, após passar no Senado, no dia 1º deste mês. Com as mudanças, o primeiro turno será no dia 15 de novembro e o segundo acontece no dia 29 do mesmo mês. Confira aqui as datas do calendário eleitoral.

Entenda a biometria

O sistema de identificação do eleitor através da biometria começou em 2008 com um projeto piloto com mais de 40 mil eleitores, segundo o TSE. O teste aconteceu nos municípios de Colorado do Oeste, em Rondônia, São João Batista, em Santa Catarina, e Fátima do Sul, em Mato Grosso do Sul. 

Dez anos depois, nas eleições de 2018, mais de 87 milhões de eleitores estavam aptos a votar usando a identificação por biometria. No total, eles representavam 59,31% do eleitorado, de acordo com o TSE. Atualmente, em julho de 2020, quase 120 milhões de eleitores já têm identificação biométrica, segundo dados da Justiça Eleitoral.

O processo que utiliza a impressão digital dos eleitores para identificá-los tem como objetivo proporcionar mais segurança no momento da votação, evitando possíveis fraudes no procedimento.

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