Carl de Souza/AFP
Carl de Souza/AFP

Alckmin suspende propagandas de ataque a Bolsonaro

A campanha do candidato do PSDB informou não ser possível retirar trechos de propagandas que já estavam programadas para esta quinta-feira, 6

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2018 | 20h11

A campanha do candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, dará uma trégua nos ataques ao adversário Jair Bolsonaro (PSL), que foi esfaqueado nesta quinta-feira durante ato em Juiz de Fora (MG). A 31 dias do primeiro turno da eleição, a ordem no comitê de Alckmin é condenar a violência sob qualquer hipótese e suspender a artilharia na direção de Bolsonaro.

A comitê também informou ser impossível retirar o trecho da propaganda exibida no horário do almoço desta quinta-feira, 6, que contém críticas ao candidato do PSL. Segundo um assessor da campanha, até se cogitou pedir a retirada do conteúdo, mas isto não foi possível porque a grade é enviada com uma certa antecedência para a Justiça Eleitoral. "O que estava programado, vai ficar", disse.

No trecho final do programa exibido nesta sexta-feira, que começou às 20h30, a apresentadora diz ter ouvido dizer que Bolsonaro não contrataria uma mulher pelo mesmo salário de um homem. "Ou seja, para o Bolsonaro, seria normal a Amanda ganhar menos que o Vinícius mesmo que os dois fazendo o mesmíssimo trabalho", continua a atriz, indicando os dois intérpretes que traduzem o programa para libras.

Em conversas reservadas, dirigentes da campanha tucana afirmam que seria “totalmente inadequado” seguir com a mesma estratégia nessa situação. A avaliação da equipe é a de que a candidatura de Bolsonaro precisa ser tratada com muita cautela, de agora em diante, mesmo porque o episódio pode servir para que o deputado vire um “mártir” e se torne imbatível nas urnas.

Integrantes do núcleo político de Alckmin dizem, nos bastidores, que é hora de reposicionar a estratégia da campanha. Nos últimos dias, o ex-governador de São Paulo havia assumido a ofensiva contra o capitão reformado, que lidera as pesquisas de intenção de voto quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) -- preso e com a candidatura impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) -- fica fora das simulações.

Ao participar nesta quinta-feira da sabatina Estadão-Faap com Presidenciáveis, antes do ocorrido com Bolsonaro, Alckmin tentou antecipar a tática do apelo ao voto útil. Na ocasião, sob o argumento de que o adversário do PSL não venceria ninguém nas projeções para o segundo turno, o tucano disse que a candidatura do deputado era um “passaporte para a volta do PT”.

Em agenda nas cidades de Goiânia e Anápolis, na quarta-feira, Alckmin também havia afirmado que uma eventual vitória de Bolsonaro levaria o Brasil ao “caos”. Sob a condição de anonimato, um dirigente do PSDB disse ao Estado que, nesse cenário de incertezas sobre o desfecho da disputa, a expectativa da equipe de Alckmin é a de que a violência registrada nessa campanha sirva para “conscientizar” eleitores sobre os prejuízos do radicalismo, “tanto da extrema direita como da extrema esquerda”.

Na primeira pesquisa Ibope/Estado/TV Globo após a candidatura de Lula ser indeferida, Bolsonaro segue na liderança da corrida presidencial, com 22%. Apoiado pelo Centrão e com quase metade do tempo da propaganda eleitoral, Alckmin continua com a campanha empacada. Passou de 7% para 9%, mas ainda não saiu de um dígito, como esperavam seus aliados.

“A estratégia da campanha do Geraldo está completamente errada”, afirmou o deputado Jovair Arantes (GO), líder do PTB na Câmara. “Dedicar o programa eleitoral na TV para atacar Bolsonaro é uma burrice. Agora é hora de ele chamar os eleitores à razão para tentar ir ao segundo turno, e não de querer desconstruir Bolsonaro ou mesmo o PT. Isso é para outro momento", completou Jovair na quarta-feira, um dia antes da agressão sofrida pelo deputado.

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