Após derrota, Serra diz a tucanos que renovação é coisa do PT

Por telefone e e-mail, candidato derrotado do PSDB procurou aliados e reclamou de declarações públicas em defesa de novos quadros partidários para disputas futuras

Bruno Boghossian e Julia Duailibi, de O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2012 | 02h07

O candidato derrotado do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, procurou integrantes do seu partido para reclamar da tese da renovação que passou a ser defendida por parte dos tucanos, na esteira do resultado das urnas.

Na segunda-feira, 29, um dia depois da derrota, Serra telefonou e enviou e-mails para ex-integrantes de sua campanha e aliados no PSDB paulista. Afirmou que a defesa da renovação era um tema que interessava apenas ao PT e reclamou das declarações feitas pelos integrantes do partido que defenderam publicamente mudanças no quadro partidário.

Segundo o Estado apurou, Serra disse que o PSDB estava se submetendo a uma estratégia dos petistas e que as declarações de defesa dessa tese eram uma traição à sua candidatura.

O tucano argumenta que entrou na disputa municipal depois de ser pressionado pelo partido, alegando que ele seria o melhor quadro para vencer o PT - a decisão também serviu a Serra, que, naquela ocasião, enfrentava certo isolamento partidário.

Serra também fez críticas duras a declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que, antes mesmo do fim da votação, afirmou que "a renovação é necessária sempre e o Brasil está mostrando isso mais uma vez".

"O Serra é mais jovem do que eu e ainda tem a possibilidade de continuar a sua carreira, mas o partido, no geral, precisa de renovação. O momento é de mudança de gerações. Isso não quer dizer que os antigos líderes vão desaparecer. Eles têm apenas que empurrar os novos para a frente", disse o ex-presidente, no domingo.

A tese da renovação passou a ser defendida por políticos do PT e do PSDB após a vitória em São Paulo de Fernando Haddad (PT), cuja candidatura foi uma operação deflagrada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula acreditava que, para ganhar na capital paulista, o partido deveria apresentar um nome novo e que tivesse maior inserção na classe média - desde 2000, o PT tinha como candidata em São Paulo a ministra Marta Suplicy (PT). No PSDB, desde 1996, Serra e o governador Geraldo Alckmin se revezam como candidatos a prefeito.

Outros fatores. Na avaliação que o candidato derrotado do PSDB fez a seus aliados, a derrota não se deu por uma questão de idade, mas sim por fatores que passariam pela má avaliação da gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD) e por sua renúncia ao mandato de prefeito em 2006, um ano e três meses depois de assumir o cargo, para disputar o governo do Estado.

Serra procurou seus principais aliados para debater a questão. Vários deles passaram, então, a criticar o discurso da renovação. O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) criticou a tese da "novidade" anteontem.

"Muitos daqueles que hoje falam 'ah, o novo' imploraram para José Serra ser candidato a prefeito de São Paulo", disse Aloysio, na tribuna do Senado.

O ex-governador Alberto Goldman diz que o partido não deve mirar a idade para escolher seus quadros. "Dizem que a renovação é a escolha de pessoas jovens, mas isso é bobagem", afirmou o tucano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.