Após derrota, Haddad é recebido em ato com gritos de ‘governador’

Mesmo tendo obtido a pior votação de um candidato do PT na capital desde 1992, Haddad é apontado como nome para 2018

Ricardo Galhardo, Camila Turtelli e Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2016 | 05h00

Uma semana depois de perder a disputa pela reeleição ainda no primeiro turno para o tucano João Doria, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), foi carregado nos braços por centenas de pessoas que, aos gritos de “Uh! Governador”, foram homenagear o petista ontem à tarde, na Avenida Paulista.

O ex-senador Eduardo Suplicy (PT), eleito vereador mais votado de São Paulo (301 mil votos), se comprometeu a passar os próximos dois anos viajando pelo Estado ao lado de Haddad para pavimentar sua eventual candidatura ao Palácio dos Bandeirantes, ocupado há 21 anos pelo PSDB.

“Ele é a principal liderança que o PT tem hoje no Estado de São Paulo, mas a candidatura é uma coisa que ainda tem de ser discutida e depende muito dele”, disse o secretário municipal de Relações Institucionais, José Américo Dias, presente no evento.

Para o secretário municipal de Saúde, Alexandre Padilha, candidato do PT ao governo em 2014, as marcas de Haddad à esquerda devem se fortalecer com o governo Doria. “É a liderança mais forte que o PT tem hoje em São Paulo e os ataques de Doria às políticas dele só devem reforçar essa liderança”, disse.

Indagado pelo Estado se uma possível candidatura estaria nos seus planos, Haddad respondeu: “Não é hora de pensar nisso”. Em conversas antes do início formal da campanha, em agosto, ele havia dito que, se não fosse reeleito, abandonaria a vida pública e voltaria a dar aulas na USP. Fontes da Prefeitura dizem que já existe pressão de setores do PT para que o prefeito seja candidato ao governo em 2018. Por outro lado, também existem alas do partido que resistem a Haddad.

O evento “Valeu Haddad”, convocado pelo Facebook, reuniu centenas de pessoas que foram até o Masp para homenagear o prefeito. Além do grito “Uh! Governador” e cartazes de incentivo à permanência do prefeito na vida pública, os manifestantes gritaram “Fora, Temer” e hostilizaram Doria. Alguns cantaram o verso “vou morrer de saudade” da música Primavera, de Tim Maia.

‘Vitória política’. Embora tenha recebido a pior votação de um candidato do PT na capital desde 1992, Haddad disse que sua campanha foi uma vitória política. “É uma festa que considero inédita em São Paulo. Uma semana depois de uma suposta derrota mas que foi uma vitória para a cidade”, disse ele, sobre o evento.

Haddad discursou se posicionando contra uma das bandeiras de Doria, que prometeu privatizar espaços como o Anhembi e o autódromo de Interlagos. “Não vamos deixar privatizarem a cidade. A cidade de São Paulo não está à venda”, afirmou o prefeito.

Segundo ele, legados como a “Paulista Aberta” e outras políticas que marcaram a sua gestão já foram incorporadas pela população e não vão sofrer retrocesso no futuro governo tucano.

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