Após derrota, Gabeira acusa imprensa de 'roubar' informação

Verde afirmou não ter elementos para dizer se a campanha negativa influenciou ou não na sua derrota

Jaqueline Farid e Wilson Tosta, de O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2008 | 21h52

 O candidato da Frente Carioca (PV-PSDB-PPS) à prefeitura carioca Fernando Gabeira, reconheceu a derrota pouco depois das 19h15 deste domingo, 26, em entrevista coletiva. Apesar de sereno, reclamou da imprensa, mais uma vez acusando repórteres de "roubar" uma frase que dissera ao celular na qual dizia que a vereadora Lucinha (PSDB) tinha o que chamou de "visão suburbana". A afirmação foi largamente usada por apoiadores do prefeito eleito,  Eduardo Paes (PMDB), para acusá-lo de preconceito contra o subúrbido.  Veja também:Em disputa acirrada, Paes leva e é o novo prefeito do Rio Especial: Perfil dos candidatos do Rio  'Eu prometo' traz as promessas de Gabeira e Paes Geografia do voto: Desempenho dos partidos nas cidades brasileiras Confira o resultado eleitoral nas capitais do País  Gabeira também afirmou não saber se a antecipação para este domingo, pelo governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), do feriado do Dia do Funcionalismo, teria estimulado a abstenção. Prometeu, contudo, manter a mobilização de seus seguidores para enfrentar problemas da cidade como a dengue. "Não posso aceitar a imagem de balde de água fria", disse ele, ao comentar a derrota. "Foi um momento em que a sociedade mostrou a sua potencialidade. Podemos continuar fazendo coisas com voluntários, independente de estarmos numa campanha política." Gabeira afirmou que não pensa em ser candidato novamente, mas deixou aberta a possibilidade. "Penso na vida", declarou. "Em certos momentos da vida, ela me empurra para uma candidatura." O verde afirmou não ter elementos para dizer se a campanha negativa teria influenciado sua derrota e disse que já a esquecera quando recebeu a denúncia de suposto uso irregular de merenda escolar para boca-de-urna. "Desviar merenda para boca de urna me parece fora dos limites", afirmou.  Para Gabeira, as acusações de preconceito contra o subúrbio não influenciaram o resultado. "Fizemos do limão uma limonada", disse. "A Lucinha ficou muito indignada com a campanha negativa e foi uma guerreira da candidatura naquela região." Gabeira, que é jornalista, afirmou que, "no século passado", também roubaria a frase do celular - para condenar a prática. "Também fui, no século passado, de uma esquerda que dizia que os fins justificam os meios", disse. "Acho que tanto para a mídia como para a esquerda, nesse caso específico, os fins não justificaram os meios. Mas é uma opinião própria, cada um tem a sua autonomia." Gabeira considerou "mito" a afirmação de que foi um candidato da zona sul. Informado por um repórter que Caetano Veloso, um de seus principais apoiadores, não votara, declarou: "Ele fez tanto por mim. Deve ter tido uma razão. Está perdoado e amado." O candidato entrou aplaudido no Hotel Royal Palace, abraçado à mulher, Neyla, e às filhas Maya, que chorava, e Tami. Também no caminho, na Doblô que usou na campanha, de Ipanema a Copacabana, ouviu aplausos. No fim da coletiva, mantinha a serenidade. "Poderei andar de bermuda e chinelo de novo, mas estarei ajudando do mesmo jeito", disse. Votação Gabeira votou às 8h20, em uma escola municipal da zona sul, e comparou a eleição a uma corrida de cavalos, que seria vencida "por um nariz". O candidato do PV se disse preocupado com a crise mundial e lembrou o passado de militância na guerrilha, quando participou do seqüestro do embaixador americano Charles Elbrick, em 1969, ação da qual se arrepende. "Consideramos o seqüestro uma forma abominável que não deve ser usada de forma nenhuma, foi um erro na nossa vida", disse, depois de votar. O deputado verde mostrou preocupação também com a possibilidade de fraude, mas se disse confiante de que não prejudicaria sua vitória. Segundo Gabeira, havia informações de que mesários votariam no lugar de eleitores ausentes, pouco antes do encerramento da eleição. Em nota, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) afirmou que "a trama sugerida é, no mínimo, improvável" . "Para que tal manobra surtisse efeito seria necessário corromper todos os quatro mesários da seção eleitoral, mais o policial militar que dá segurança àquele local de votação, além dos fiscais de partidos e coligações, inclusive o fiscal da coligação que seria prejudicada."

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