Após denúncia, chefe de gabinete das Cidades é demitido

Na mira da reforma ministerial, Mário Negromonte demitiu ontem seu braço direito no Ministério das Cidades. O chefe de gabinete Cássio Peixoto foi afastado dois dias depois que foi revelada a sua participação em negociações com um empresário e um lobista interessados num projeto de informática que seria tocado pela pasta. A exoneração, publicada ontem no Diário Oficial, foi assinada pela ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil).

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2012 | 03h03

No dia 9 de agosto do ano passado, segundo informou reportagem da Folha de S.Paulo, Peixoto recebeu em seu gabinete o dono da empresa Poliedro Informática, Luiz Carlos Garcia, e o lobista Mauro César dos Santos para discutir o assunto, ligado a uma proposta de informatização do ministério.

O encontro teria sido a segunda fase de uma suposta negociação anterior, que ocorreu depois de três reuniões do empresário e do lobista na casa do deputado João Pizzolatti (PP-SC) sobre o mesmo tema. Negromonte participou de pelo menos uma das reuniões, assim como seu secretário executivo, Roberto Muniz. Todos negam qualquer acordo e a licitação até hoje não ocorreu.

Em novembro, o Estado revelou gravações de uma reunião em que integrantes da pasta manobraram para derrubar parecer técnico contrário à mudança do projeto de uma obra em Cuiabá (MT). A autorização para a alteração teria partido de Peixoto.

Na ocasião, a reportagem mostrou que a diretora de Mobilidade Urbana do ministério, Luiza Gomide, com autorização do assessor direto de Negromonte, alterou parecer técnico que vetava a mudança do projeto do governo de Mato Grosso de trocar a implantação de uma linha rápida de ônibus (BRT) pela construção de um veículo leve sobre trilhos (VLT). A mudança aumentaria os custos da obra em R$ 700 milhões. A obra, que chegaria a R$1,2 bilhão, também foi reprovada pela Controladoria-Geral da União.

Negromonte negou as denúncias de fraude e em audiências públicas no Congresso afirmou que houve falha técnica por parte de funcionários da pasta. O ministro é um dos cotados a perder o cargo na reforma ministerial.

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