Após declarar apoio a Haddad, PMDB consegue chefia do INSS

Partido tem ainda expectativa de emplacar o candidato derrotado Gabriel Chalita em um ministério

João Domingos e João Villaverde, de O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2012 | 08h38

BRASÍLIA - Firme na campanha do petista Fernando Haddad no 2.º turno da disputa pela Prefeitura de São Paulo e na expectativa de emplacar o deputado Gabriel Chalita (SP) em um ministério logo depois da eleição, o PMDB conseguiu nessa quinta-feira, 18, um dos mais cobiçados cargos das autarquias federais: o comando do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O novo presidente será Lindolfo Sales, hoje chefe de gabinete do ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves (PMDB-RN). O cargo era ocupado desde o início do governo Dilma Rousseff pelo petista Mauro Hauschild, que entregou o cargo ontem à tarde. Hauschild integra o quadro da Advocacia-Geral da União (AGU) e, antes de ir para o INSS, era chefe de gabinete do ministro Antônio Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.

A ajuda de outro partido a Haddad já foi recompensada antes com cargo no governo federal. Em junho, depois de emplacar o aliado Osvaldo Garcia na Secretaria de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, o deputado Paulo Maluf (PP-SP) anunciou apoio ao candidato petista. Garcia é ligado a Maluf, mas não é filiado ao PP.

Fogo amigo. Além de perder a presidência do INSS para o PMDB, o PT pode perder o próprio Hauschild, que deve deixar o partido. Ele pretende disputar uma cadeira de deputado federal pelo Rio Grande do Sul em 2014 e sabe que não conseguirá obter uma vaga dentro da chapa do PT.

As especulações sobre a saída dele da presidência do INSS começaram no início da semana. Petistas adversários de Hauschild fizeram chegar à ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, a informação de que o presidente do INSS havia passado 15 dias em campanha pela chapa capitaneada pelo PT vencedora da eleição em Lajeado, a 120 km de Porto Alegre.

Hauschild alegou que estava de férias. Mas os adversários insistiram que ele havia quebrado a ética do serviço público e citaram a existência de um vídeo em que ele vinculava a eleição da chapa que apoiava ao repasse de recursos federais para Lajeado. Diante das pressões de outros partidos da base, Hauschild fez a carta de demissão e a entregou ao ministro da Previdência.

Reunião. Nessa quinta, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), e Garibaldi conversaram sobre a substituição no INSS. Decidiram que apoiariam o nome indicado pelo ministro. Hauschild se reuniu anteontem à noite com o deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS) e o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro (PMDB-RS), e ontem foi ao Senado falar com Renan, a fim de preservar o cargo. Sem sucesso.

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