AFP PHOTO/POOL/GULSHAN KHAN
AFP PHOTO/POOL/GULSHAN KHAN

Após centrão formalizar apoio a Alckmin, Temer diz que Meirelles continua candidato

A aliança do bloco com o tucano prejudicou as tratativas do ex-ministro, que vinha tentando a adesão de pelo menos parte do grupo a seu projeto presidencial e ficou isolado

Felipe Frazão, enviado especial, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2018 | 16h06

JOANESBURGO - O presidente da República, Michel Temer, afirmou nesta quinta-feira, 26, que o MDB manterá a candidatura do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles nas eleições 2018, que desejar disputar a sucessão presidencial, apesar de a maior parte dos partidos da base governista terem formalizado uma aliança com o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB).

“A candidatura do Meirelles continua, é uma candidatura já pré-lançada”, disse o presidente  depois de reuniões na 10ª Cúpula dos BRICS, realizada na África do Sul.

A adesão do centrão a Alckmin, apalavrada na semana passada, mudou as estratégias eleitorais das pré-campanhas e beneficiou o tucano, visto com desconfiança por parcela do Planalto por se negar a defender abertamente o presidente. Na prática, Alckmin terá o maior tempo de exposição no horário eleitoral gratuito em rádio e TV, por causa da coligação com DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade – todos partidos com cargos de relevo no governo Temer. Ele também é apoiado por PSD, PTB e PPS, da base de Temer.

A aliança do bloco com o tucano prejudicou as tratativas de Meirelles, que vinha tentando a adesão de pelo menos parte do bloco a seu projeto presidencial, e ficou isolado. Ele ainda tenta conquistar partidos nanicos para sua candidatura.

Na próxima semana, a última do prazo legal para os partidos realizarem as convenções que escolhem os candidatos no pleito de outubro, Meirelles tentará sagrar-se o nome do MDB para disputar a Presidência da República nas eleições 2018. O encontro está marcado para o dia 4 de agosto.

No fim de semana, o articulador político de Temer, ministro Carlos Marun (Governo), escreveu a parlamentares do MDB e a Meirelles uma mensagem dizendo que houve um veto à negociação avançada que o centrão mantinha com Ciro Gomes, candidato do PDT à Presidência. Ele dizia que Alckmin não merecia o apoio do MDB.

“A atitude de Alckmin nas denúncias (contra Temer) o torna não merecedor do nosso apoio. Ajudamos a sua candidatura é verdade, ao vetarmos o apoio do centrão ao débil mental do Ciro Gomes. Este apoio foi para os tucanos, mas isto não é de todo ruim. Sabemos que a tucanidade de Alckmin não o faz o candidato para o agora”, escreveu Carlos Marun, no domingo, 22.

Ciro é desafeto pessoal do presidente e afirma que ele será preso após deixar o cargo, por causa das denúncias em que foi envolvido na delação premiada de executivos do frigorífico JBS. O processo foi barrado pela base de Temer na Câmara dos Deputados, mas poderá ser retomado quando ele deixar a Presidência.

Ao comentar o papel do governo nas costuras eleitorais, Temer usou uma expressão mais branda que Marun para se referir à pressão exercida sobre o centrão e se negou até a citar o nome de Ciro. “Não houve, efetivamente, digamos assim, um impedimento proposto pelo governo em relação à candidatura do outro candidato a presidente que você acabou de mencionar. Mas houve a compreensão, muito adequada, dos partidos da base aliada, que não poderiam apoiar alguém que critica acidamente o governo. Não haveria condições de eles virem a apoiar alguém que radicalmente se opôs às teses do governo, teses do Executivo e aprovadas pelo Legislativo", disse Temer.

“Além de tudo, há essa crítica pessoal que não quero nem comentar porque entraria vou entrar em questões pessoais num debate improdutivo", completou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.