Yuri Silva/Estadão
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Após apoio de governador pernambucano a Lula, Gleisi cobra 'aliança formal' com PSB

Presidente do PT afirmou que partido não deseja que o PSB libere os Estados para apoiarem os candidatos mais convenientes para alianças regionais

Yuri Silva, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2018 | 13h27

SALVADOR - A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, cobrou na manhã desta sexta-feira, 12, que o PSB feche “uma coligação formal” com seu partido para apoiar a candidatura à Presidência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Operação Lava Jato. Em visita a Salvador, onde se reuniu com lideranças petistas e com a Executiva Estadual do PT, a senadora paranaense afirmou uma que uma possível decisão do PSB pela neutralidade na eleição presidencial não interessa ao seu partido. 

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“A nossa posição é de uma coligação formal. A nossa resolução diz exatamente isso, que as alianças a serem construídas de forma prioritária com PSB e PCdoB são alianças formais. Nós queremos que estejam na chapa, estejam junto na chapa com o presidente Lula. (O desejo do PT) não é que eles liberem os Estados”, afirmou Gleisi ao Estado antes de reunir-se com a Executiva do PT baiano.

A declaração da senadora ocorre um dia após o governador de Pernambuco e vice-presidente do PSB, Paulo Câmara, pré-candidato à reeleição, declarar apoio à postulação de Lula ao Palácio do Planalto. A afirmação é também uma resposta ao prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), que descartou a possibilidade de uma aliança com o PT na eleição presidencial. Na ocasião, Lacerda afirmou que o partido ou apoiaria Ciro Gomes (PDT) ou ficaria neutro na disputa ao Planalto.

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Em entrevista concedida na manhã de sexta-feira à Rádio Eldorado, o deputado Julio Delgado, vice-líder do PSB na Câmara, lamentou que o partido esteja enfrentando essa divisão interna, pois dirigentes da legenda já haviam manifestado apoio ao pré-candidato do PDT, Ciro Gomes.

Após a declaração pública de Câmara, Delgado acredita que será muito difícil o PSB seguir unido neste pleito e a tendência é que a sigla libere os Estados e cada um siga o caminho que lhe for mais conveniente, priorizando as alianças regionais.

Nos bastidores, contudo, o PT aposta que, na pior das hipóteses, terá o apoio dos diretórios pessebistas no Norte e no Nordeste. Segundo interlocutores petistas, em jantar com o governador da Bahia, Rui Costa (PT), no fim da noite de quinta-feira, 12, Gleisi disse estar otimista quanto às negociações, após a declaração de apoio feita por Paulo Câmara e uma conversa que teve com o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB). A crença da senadora, afirmou um dos participantes da reunião, é que pelo menos a neutralidade do PSB pode ser conquistada – o que ajudaria a isolar Ciro Gomes.

Campanha

Durante o encontro, a senadora deu a Rui Costa e ao ex-governador e ex-ministro Jaques Wagner a tarefa de coordenar a campanha de Lula no Nordeste. Ela informou ainda que a Bahia teria prioridade na divisão do fundo eleitoral, o que está programado para acontecer no dia 20 de julho, em reunião da Executiva Nacional do PT, em Brasília. Também estavam presentes o vice-presidente nacional do PT, Márcio Macedo, o deputado federal Paulo Pimenta, o presidente do PT na Bahia, Everaldo Anunciação, e dois representes da direção estadual do partido na Executiva Nacional, Ivan Alex Lima e Sara Gabriela.

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As reuniões sobre a eleição presidencial feitas pelo Centrão – bloco de partidos liderado pelo DEM e composto por PP, PRB e Solidariedade – também foram alvo de Gleisi na manha desta sexta-feira. Ela afirmou ao Estado que as legendas “não conseguiram até agora definir candidato nem ter um programa para o País” e minimizou a força parlamentar e o tempo de TV do bloco.

“Só com base parlamentar não se ganha eleição. Qual o programa deles para a economia? Qual o candidato que vai personificar isso? Não tem. Eles estão em uma situação muito difícil. A pauta do Centrão é o que o País está vivendo hoje, junto com o PMDB e junto com a direita. Não tem candidato desse campo que consiga despontar, porque não tem projeto para o País”, afirmou Gleisi, citando desemprego e privatizações como pautas do bloco.

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A senadora disse ainda que, caso o Centrão decida apoiar o pedetista Ciro Gomes, ele seria obrigado a defender o governo Michel Temer. “O Ciro vai pegar essa pauta? Vai defender Temer? Porque vai ter que defender. Essa é a pauta desses partidos. Inclusive salvaram Temer de duas denúncias. Se for pegar essa pauta, vai ter que saber das consequências, vai ter que fazer essa defesa no palanque, porque não pode ir para o palanque falar uma coisa e depois propor outra”, afirmou.

Gleisi não descartou, contudo, uma aliança com Ciro no segundo turno. “Nós só temos condições de fazer alianças com aqueles que não reivindicam a cabeça de chapa. Isso não quer dizer que no segundo turno nós não vamos conversar. Temos que sentar com todos os partidos da centro-esquerda, progressistas, que querem a reconstrução do Brasil, para fazermos uma frente única no segundo turno”, disse a presidente do PT.

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