Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Após aliada contrair covid-19, Boulos suspende atos de campanha na rua

Candidato não cumprirá agenda de rua até o resultado do exame sair; deputada federal Samia Bomfim (PSOL) foi diagnosticada com a doença na segunda-feira, 23

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2020 | 13h12
Atualizado 24 de novembro de 2020 | 21h37

O candidato do PSOL à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, decidiu suspender as atividades de rua da campanha depois do anúncio de que sua aliada, a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP), está com covid-19 – ela foi diagnosticada na segunda-feira, 23. Antes a parlamentar havia participado de um evento com o candidato na sexta-feira, 20. 

“O contato que eu tive com a Sâmia foi absolutamente esporádico, ambos de máscara. Não tenho qualquer sintoma, mas por precaução decidimos fazer o teste e também tomamos uma decisão de, até sair o resultado, não fazer agendas públicas de rua”, disse o candidato nesta terça-feira, 24.

Boulos aproveitou o fato para criticar seu adversário, o prefeito Bruno Covas (PSDB), candidato à reeleição. Segundo Boulos, sua equipe tenta agendar o exame desde segunda-feira, mas só conseguiu marcar um horário para quarta-feira. Para o candidato, isso é consequência do aumento de casos na cidade que, segundo ele, está sendo subestimado pelo prefeito. 

Boulos também comentou o resultado da pesquisa Datafolha que mostra a queda de 16 para 10 pontos porcentuais da vantagem de Covas no segundo turno. Para o candidato, os números mostram que existe uma “onda” de apoio à sua candidatura. 

Segundo ele, o resultado da pesquisa provocou “desespero” na campanha do PSDB que, de acordo com Boulos, estaria apelando para a propagação de fake news.  Ele cita um áudio do secretário municipal de Educação, Bruno Caetano, que circulou pelo WhatsApp no qual Caetano diz que Boulos “fala mal” das creches conveniadas e agradece “todo mundo que está ajudando a espalhar a verdade”.

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O candidato do PSOL disse ter sido alvo de fake news em que é atribuído a ele, caso seja eleito, a demissão de funcionários das creches conveniadas à Prefeitura. Os advogados do partido fizeram uma representação ao Ministério Público Eleitoral pedindo investigação de possível abuso do poder econômico na fala do secretário.

Além de apontar a ligação do vice de Covas, Ricardo Nunes (MDB) com supostos esquemas em creches municipais, a campanha de Boulos começou a explorar na reta final da disputa eleitoral a comparação entre as fontes de financiamento das campanhas. Nas redes sociais, o PSOL mostra que 20% (cerca de R$ 1 milhão) dos R$ 5,3 milhões recebidos até agora chegaram na forma de financiamento coletivo, enquanto Covas recebeu R$ 31 mil, 0,17% dos R$ 18 milhões arrecadados pela campanha, por meio deste mecanismo.

Os maiores doadores individuais de Boulos foram o casal Caetano Veloso e Paula Lavigne com R$ 100 mil cada. Cerca de 70% dos recursos vieram do Fundo Eleitoral. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 82% da campanha tucana é financiada com recursos do Fundo Eleitoral.

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