Após admitir uso de aeroporto, Aécio reclama da Anac

Tucano volta a defender construção em área a 6km de fazenda de sua família e diz que seu erro foi não checar homologação

Suzana Inhesta e Marcelo Portela, O Estado de S. Paulo

31 de julho de 2014 | 20h22

O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, voltou a defender o investimento de R$ 13,9 milhões feito pelo governo de Minas na construção do aeroporto de Cláudio (MG). A obra foi feita em área desapropriada que pertencia a um tio-avô do tucano, a 6 km de uma fazenda de sua família. Na quarta-feira, 30, Aécio admitiu pela primeira vez que pousou no local, disse que foi um erro não checar se as autoridades do setor aéreo consideravam a pista regular ou não. O candidato culpou a demora da Agência Nacional de Avião Civil (Anac) em homologar a pista pelo imbróglio.

"Não me refuto a responder sobre o assunto. A obra foi planejada, como milhares de outras obras feitas em Minas Gerais. O que há, na verdade, é uma grande demora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), para fazer essas homologações e fui, de forma inadvertida, não me preocupei efetivamente de saber ou não se havia ou não homologação da pista. Isso é um erro, eu assumo esse erro", disse.

"Falo com o maior prazer: (o aeroporto) é uma obra importante para a região, vai estimular o desenvolvimento de toda aquela região, não só de Cláudio, assim como as milhares de obras que fizemos foram obras importantes, planejadas. Não tenho dúvida de que o tempo mostrará a correção da obra, a transparência com que foi feito, o Ministério Público mostrou isso. O nosso exemplo, em Minas Gerais, o nosso governo, é algo para ser seguido em todo o País, em todos os aspectos", declarou.

Visivelmente mais calmo do que a última vez que veio a Minas Gerais, quando foi ao Santuário Nossa Senhora da Piedade, em Caeté, na região metropolitana de Belo Horizonte, um dia após a notícia do aeroporto ser publicada, Aécio respondeu a outro questionamento sobre o assunto, dizendo que a obra foi "corretíssima".

E completou: "Agora, o que é essencial, é que (o aeroporto) é uma obra pública, feita em benefício de uma comunidade importante e um grande centro industrial para os mineiros." Ontem, em sabatina realizada em Brasília (DF) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), Aécio comentou que, se eleito, reduzirá pela metade estrutura ministerial.

Questionado quais seriam as pastas a serem cortadas, o presidenciável informou que Antonio Anastasia, ex-governador de Minas Gerais e candidato a Senador pelo PSDB, estaria incumbido de preparar o desenho da nova estrutura de governo. "Desburocratização, simplificação e transparência serão marcas do nosso governo", declarou.

Ele ainda negou que tenha convidado o ex-presidente do Superior Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, para compor seu ministério. "Não tenho falado ultimamente com ele, mas tenho enorme respeito pessoal por ele. Ele é um homem que honrou imensamente o judiciário, a democracia brasileira. Reconheço o papel extremamente importante, exemplar que ele teve. A justiça e a democracia devem muitos a seu exemplo", falou.

Aécio informou que nessa semana começa um roteiro no qual nos próximos 20 dias visitar, pelo menos, 20 Estados. "Por isso meu chamamento de todas as pessoas que conhecem o nosso governo possam ser o eco da minha voz", disse. Nos próximos dias também participará de debates na Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e do Comércio (CNC).

Campanhas e pesquisas em MG. Aécio ainda comentou que é natural ter uma campanha "nacionalizada" em Minas Gerais, com os candidatos tendo como referências os presidenciáveis. "Temos ao longo dos anos em Minas Gerais, a construção de um governo que o mineiro conhece como ético e eficiente foi uma construção política. Pimenta é hoje garantia que o Estado será governado com eficiência. Nome do Pimenta cresce a cada dia."

Sobre a pesquisa Ibope divulgada ontem à noite pela TV Globo na qual apontou um empate técnico entre candidato do PT ao governo de Minas Gerais, o ex-ministro Fernando Pimentel, e o também ex-ministro Pimenta da Veiga (PSDB), Aécio brincou: "deve ter surpreendido a nossos adversários". "Eu sempre acreditei na vitória do Pimenta. Ele é consistente, não é de bravatas, tem história. (...). Na próxima pesquisa, Pimenta estará liderando", declarou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.