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Após ação da Polícia Federal em 17 universidades, Gilmar diz que é preciso 'ter cautela'

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) comenta as ações da PF em universidades públicas espalhadas por nove estados do País

O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2018 | 14h49

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes afirmou nesta sexta-feira, 26, que é preciso “ter cautela” em ações em universidades públicas por conta de manifestações a favor ou contra os candidatos à Presidência da República nas eleições 2018. As declarações do ministro foram dadas após uma série de ações da Polícia Federal em instituições pelo País nas últimas 48 horas - foram 17 intervenções em nove estados. 

Na quinta-feira, uma juíza no Rio ameaçou prender o diretor da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense se não fosse retirada uma faixa “Direito UFF Antifascista". “Em geral (as universidades), têm uma ebulição que é positiva, e não necessariamente estão afeitos ao período eleitoral”, afirmou o ministro.

Ainda nesta sexta-feira, alunos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) realizam uma paralisação em protesto contra o presidenciável Jair Bolsonaro, do PSL. Por meio de sua conta no Twitter, a Faculdade disse que "havendo professores e alunos, será garantido o funcionamento regular”. Um evento agendado para esta sexta-feira sobre direito autoral teve de ser antecipado em virtude da paralisação. 

Outros casos

Na quinta-feira, 25, pelo menos duas universidades – a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), na Paraíba, e a Universidade do Estado da Bahia (Uneb), campus de Serrinha (a 175 km de Salvador) – foram alvo de ações da Justiça Eleitoral ou do Ministério Público Eleitoral por suposta propaganda eleitoral irregular a favor do candidato do PT ao Palácio do Planalto, Fernando Haddad, que disputa o segundo turno das eleições presidenciais com Jair Bolsonaro (PSL).

Já na Universidade Federal de Grandes Dourados (UFGD), no Mato Grosso do Sul, na manhã desta quinta, a Polícia Federal impediu, a mando do juiz eleitoral Rubens Witzel Filho, a realização de uma palestra sobre fascismo marcada para acontecer na instituição de ensino. Na decisão, o magistrado alegou que o prédio, por ser público, não poderia ser usado para campanha política, já que Bolsonaro era citado nos materiais de divulgação da aula. Em uma dessas peças, compartilhada nas redes sociais, os estudantes alertavam para "o perigo da candidatura de Bolsonaro" para o País.

A Justiça Eleitoral fez outras interferências em universidades públicas nesta semana. Na última terça, 23, uma faixa contra o fascimo pendurada no campus de Niterói da Universidade Federal Fluminense (UFF) foi retirada por agentes da PF, a pedido do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). A ação gerou uma manifestação dos estudantes na quarta-feira, 24. Eles alegam que a atuação da corporação foi abirtrária e que a faixa, com a inscrição "Direito UFF Antifascistas", não fazia referência a nenhum candidato. 

Também na quarta, em Minas Gerais, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) exigiu que a Universidade Federal de São João Del Rei retirasse uma nota publicada no site oficial, em que a instituição reafirma “seu compromisso com os princípios democráticos”, mencionando a adoção de cotas no vestibular e o uso do nome social para pessoas trans. 

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