Após 3 semanas de 'rebeldia', PR volta à base do governo no Senado

O PR do Senado está de volta à base do governo, três semanas depois de ter rompido com a presidente Dilma Rousseff, por causa dos nove meses de negociação mal sucedida para voltar ao comando do Ministério dos Transportes. A operação para resgatar o PR foi articulada pelo líder do PTB na Casa, Gim Argello (DF), que ofereceu o caminho ao retorno: a formação do bloco PTB-PR.

CHRISTIANE SAMARCO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2012 | 03h06

"Seremos um bloco de apoio ao governo. Como o PTB é da base governista, não teríamos como formar um bloco que não fosse aliado do Planalto", justificou o senador Blairo Maggi (MT), líder do PR no Senado. Juntos, PR e PTB passam a constituir a terceira força política no Senado, atrás apenas dos dois blocos encabeçados pelo PMDB e pelo PT.

O que preocupa setores do Planalto é o fato de a operação ter sido articulada pelo líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), que é muito próximo de Argello, e pelo senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), que, à época do rompimento do PR, aconselhou Dilma a não se indispor com o Congresso. Interlocutores da presidente dizem temer que a dupla cobre um preço alto pelo resgate do PR. Outro motivo de preocupação deve-se à exclusão da ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais), de quem Blairo se queixou no rompimento. Ideli não foi sequer informada da articulação em curso para recompor a relação com o PR. Líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM) também ficou de fora da operação.

Ontem, Blairo e Argello bateram à porta da ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) para comunicar a formação do novo bloco. Mais que depressa, a ministra colocou o líder do PR em contato com Dilma. "A presidente ficou feliz de me ver no Palácio novamente e propôs nova conversa com o PR", relatou o líder. Ele mesmo lembrou que, ao comunicar o rompimento à Ideli, em 14 de março, disse que o Planalto poderia tomar a iniciativa de procurá-lo, se julgasse o PR importante para o governo. "Foi o que aconteceu, agora. A presidente nos convidou para voltarmos a fazer uma discussão", disse Blairo, que passa a ser o vice-líder do bloco, liderado por Argello.

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