Após 13 anos, caso Ceci Cunha abre julgamento

Réus acusados de terem assassinado a deputada do PSDB vão a júri a partir de hoje em Alagoas em clima de comoção

VANNILDO MENDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2012 | 03h07

Passados 13 anos do assassinato da deputada federal Ceci Cunha (PSDB-AL), fuzilada junto com o marido e dois parentes na varanda da casa da irmã, a Justiça enfim vai levar os acusados ao banco dos réus. O júri popular, que começa hoje, deve durar três dias e fechará um dos dez casos de impunidade, selecionados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que mais afetam a credibilidade do Judiciário.

Acusado de ser o mandante do crime, o ex-deputado Talvane Albuquerque, sentará ao lado dos quatro autores dos disparos, ex-assessores e seguranças dele. Segundo o Ministério Público, o ex-deputado, que ficou na primeira suplência de Ceci na eleição de 1998, planejou o crime porque precisava da imunidade parlamentar para se livrar de outros processos que respondia na Justiça, inclusive por homicídio.

Os cinco acusados continuam soltos. Talvane, que alega inocência, trabalha como médico em dois hospitais do interior de Alagoas.

O caso demorou tanto a ser julgado que o filho de deputada, Rodrigo Cunha, que tinha 17 anos à época do crime, formou-se em direito e funcionará como um dos assistentes de acusação. "Foram tantas manobras que o sentimento de justiça se perdeu no tempo, mesmo que os assassinos sejam condenados", disse ele ao Estado.

O júri será presidido pelo juiz André Granja, titular da 1ª Vara Federal de Alagoas, que também carrega na memória o trauma da pistolagem. Ele é filho do jornalista e advogado Francisco Guilherme Tobias Granja, morto com um tiro na nuca, na porta de casa, em junho de 1982. O empresário Dagoberto Calheiros (mandante) e dois pistoleiros foram condenados a 13 e 18 anos pelo crime, respectivamente.

Em mais de 12 anos de tramitação, o processo sofreu várias reviravoltas, envolvendo conflitos de competência entre a Justiça Federal e a Estadual, além de sucessivos recursos movidos pelos réus, o que atravancou a ação. Diante da impunidade, o júri ocorrerá em clima de comoção e uma forte mobilização tomou conta das ruas de Maceió. Foram distribuídos cartazes e panfletos pedindo a condenação dos acusados. "O PSDB tem orgulho de ter tido Ceci em seus quadros e trabalhará para defender sua memória", disse Sérgio Guerra, presidente da sigla.

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