NILTON FUKUDA/ESTADAO
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Apoiadores de Haddad e Bolsonaro entram em confronto na Avenida Paulista

No vão livre do Masp, tropa de choque da PM teve de isolar grupos após anúncio da vitória de Bolsonaro

Felipe Resk, Marianna Holanda e Igor Macario, O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2018 | 19h49

A festa da vitória de Jair Bolsonaro (PSL) neste domingo, 28, começou com uma rápida confusão entre seus apoiadores e um pequeno grupo de jovens e eleitores de Fernando Haddad (PT), na Avenida Paulista, em São Paulo.

Assim que o resultado das eleições foi confirmado, um grupo de simpatizantes petistas, que se concentrava no vão livre do Masp, começou a gritar dizeres como “ele não” e “Bolsonaro, fascista”. A animosidade entre foi crescendo até que alguns enfrentamentos foram surgindo na via.

“Cadê a Polícia Militar do Estado de São Paulo, está havendo tumulto aqui na direita. Ninguém dispersa", anunciou o carro de som. PMs formaram um cordão de isolamento entre os atos e marcharam para dispersar os eleitores do PT. "Fora, PT! Fora, PT!", diziam os manifestantes.

O grupo atirou objetos e garrafas de bebida contra os policiais, além de derrubar lixeiras. Manifestantes pró-bolsonaro chegaram a denunciar que foram alvo de rojões, informação não confirmada pela PM. Na hora, havia muito fogos para comemorar a eleição. Os PMs usaram bala de borracha.

Após o tumulto, os policiais foram aplaudidos por eleitores de Bolsonaro, que também pediam para tirar selfies. "Viva a PM! Viva a PM", gritaram O grupo de manifestantes favorável ao PT foi escoltado para fora do vão livre do Masp. Gritos de “Fora, PT”, “Chora, petista” , “Xô, satanás, PT nunca mais” e “o capitão voltou” foram entoados pelos bolsonaristas. Com o fim da confusão, ativistas pró-Bolsonaro estouraram uma garrafa de champanhe. 

Do alto do carro de som, Marcelo Reis, coordenador do Revoltados Online e apoiador de Bolsonaro disse: “Da mesma forma que disseram que Bolsonaro não seria presidente, disseram que muitos deputados federais e estaduais do Bolsonaro não se elegeriam. É com muita honra e orgulho que vamos ocupar a Câmara dos Deputados e o Senado Federal”, disse. E completou: “Ele sim”. O discurso continuou. “Foram muitos anos de luta até o povo se conscientizar que estávamos sendo roubados pelo PT. Mas Agora podemos falar: quem é nosso presidente? Bolsonaro!”. Em seguida, tocou o funk que diz que as “minas da direita são as top, as mais belas; e as de esquerda tem mais pelos que cadelas”.

Comemoração. Antes mesmo do fechamento das urnas, eleitores de Bolsonaro começam a se reunir na Paulista. Com bandeiras do Brasil e do candidato hasteadas, o grupo gritava palavras de ordem – principalmente contra o PT. Como demonstração de apoio, carros passavam buzinando e motoristas faziam sinais de positivo para o grupo.

Com uma camisa amarela e o rosto de Bolsonaro, Bruno Godoy chegou com dois amigos no vão do Masp. “Tem que ter história pra contar pros netos. Nossos pais participaram do Diretas Já, né?”, disse à reportagem. Godoy foi eleitor de Lula e Dilma e atribuiu o apoio ao candidato do PSL a uma decepção com o PT. “O primeiro voto da minha vida foi no Lula. Você acredita tanto num partido e vê eles fazendo o contrário. Se desvirtuaram em troca de dinheiro. Por enquanto, ele (Bolsonaro) não é dessa corja”, afirmou.

Nos prédios da Avenida Paulista, moradores se dividiam entre a comemoração e gritos de “ele não”. Esse “embate” se repetiu por outros bairros de São Paulo, como em Pinheiros, Perdizes, Saúde e Mooca.

Na Avenida Paulista, ambulantes vendiam bandeiras do Brasil e máscaras de Bolsonaro a R$ 10, além de camisas de apoio pelo dobro do preço.

A poucos metros de duas viaturas da Guarda Civil Metropolitana (GCM), o ambulante Aldo dos Santos, de 52 anos, usava uma máscara de papel com o rosto de Bolsonaro, presa por óculos verde-amarelos. “Hoje, o comércio vai ser bom. Se fosse do PT, não vendia nada”, disse. “O PT acabou com o País.”

Natural de Garanhuns, região de Pernambuco onde nasceu o ex-presidente Lula, Santos está em São Paulo há 25 anos e é eleitor de Bolsonaro. Para ele, as gestões petistas o prejudicaram. “Eu fazia sempre o caminho do Paraguai para vender mercadoria aqui. Agora não dá mais, o PT jogou bastante polícia”, afirmou.

Veruska Muller, de 37 anos, estava acompanhada do marido e da filha Flavia, de 2 anos. A menina vestia uma farda da PM, segundo a mãe, em homenagem ao candidato do PSL. “Meu pai é coronel da PM e mandamos fazer a roupa por causa do Bolsonaro. Ela faz o dedinhos a arma. Não tem problema pra quem não age errado, quem tem problema que tem medo.”

Além de São Paulo, eleitores vestindo camisas da seleção brasileira ou com o rosto do presidente eleito comemoraram a vitória de Bolsonaro em Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre e outras cidades.

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