Apoiado por Planalto, Lupi neutraliza colegas

Bastidores: Christiane Samarco

O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2011 | 03h06

Foi no embalo da "sinalização positiva" que obtivera da presidente Dilma Rousseff na véspera, que o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, se sentiu fortalecido para desmontar a reunião ampliada da Executiva Nacional do PDT com as bancadas federais do partido no Congresso.

"O Lupi aguenta mais um pouco. Hoje ele está mais forte do que ontem, porque não cometeu erros na Comissão", avaliou ontem o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), repetindo a avaliação de bastidor de uma liderança do PMDB. Ambos observaram que o dia de amanhã é incerto. Mas, se por um lado o ministro não tem mais o apoio fechado dos deputados e senadores pedetistas, por hora ele se sente "calçado" pelo Palácio do Planalto, que mostra disposição de protelar o quanto puder sua sucessão.

Em jantar na noite de quarta-feira com senadores do PDT, Lupi falou sobre seu encontro com Dilma horas antes. Contou que a presidente foi explícita quanto ao desejo de que ele ficasse no governo e que teria lhe dito que aguardaria os esclarecimentos e não tomaria a iniciativa de demiti-lo.

Neste mesmo tom ele se reuniu com a cúpula do PDT na Câmara ontem cedo, ainda no ministério. Foi cerca de uma hora de conversa antes do depoimento no Senado, da qual participaram o presidente em exercício do partido, deputado André Figueiredo (CE), além dos deputados Brizola Neto (RJ), Vieira da Cunha (RS) e Paulo Pereira da Silva (SP) - o Paulinho da Força.

Lupi antecipou a estratégia de buscar serenidade e evitar os arroubos que lhe prejudicaram na fala à Câmara. Brizola Neto foi o único que se queixou de o partido não ter se reunido mais, desde que surgiram fatos novos nas denúncias contra Lupi. O deputado admitiu que o ministro não esclareceu as denúncias do uso do avião providenciado por uma ONG que tem contratos com o ministério. Mas ficou sozinho na tese de que o partido deveria se reunir.

"Temos a convicção de que cabe à presidente Dilma dizer até quando precisa do ministro", disse André Figueiredo, que na véspera aconselhara Lupi a deixar o cargo. "Se ele já disse que não sai, reunião para continuar tudo como está não precisamos fazer", concordou o senador Cristovam Buarque.

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