Apelo da 'mudança' ameaça prefeito da sigla em Diadema

Lauro Michels (PV) reúne oposição com discurso do 'novo' e pode arrancar prefeitura de Mario Reali (PT), que liderou 1º turno

O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2012 | 03h06

O PT esperava reeleger o prefeito de Diadema, Mario Reali, no 1.º turno, mas foi surpreendido e já admite que a eleição está em aberto. Se for derrotado, será a primeira vez desde 1982 que um candidato sem ligação com o partido vence o pleito municipal.

Com apoio tucano, o oposicionista Lauro Michels (PV) ameaça Reali, que teve o "socorro" do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em comício, Lula atacou o "novo", defendeu que o povo "não troque o certo pelo duvidoso", nem entre em "aventura" por "alguém que não tem experiência".

A diferença entre Reali e Michels foi de apenas 9 mil votos. Reali liderou a votação com 105 mil (46,7% dos válidos) e Michels obteve 94 mil (42,9%).

Ex-tucano, o vereador Michels saiu do PSDB para poder concorrer ao Executivo. O ex-prefeito tucano José Augusto foi contrário à candidatura de Michels pela sigla. A mulher de Augusto, Maridite de Oliveira, concorreu à prefeitura pelo PSDB. Os 21 mil votos recebidos por ela podem ser agora o "fiel da balança" em Diadema. De olho neles, Michels articulou a formação de uma frente antipetista com a ajuda do deputado estadual Orlando Morando (PSDB).

O governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), gravou depoimento declarando voto e participou de comício com Michels. Na mensagem, Alckmin também promete parcerias estaduais com a prefeitura na segurança urbana e na saúde.

Em debate do jornal Diário do Grande ABC, os candidatos adotaram tom agressivo. O petista destacou a falta de experiência administrativa do rival e disse que ele pouco fez como vereador. Em defesa, Michels comparou-se a Lula: "Antes de ser presidente o Lula também só tinha sido deputado constituinte". Também afirmou que a gestão de Reali foi a pior da história e criticou seu antecessor, Gilson Menezes (PT).

Vida noturna. Michels atraiu jovens ao defender a pauta da flexibilização da Lei Seca de Diadema, que faz com que bares fechem as portas às 23 horas. A norma, adotada há dez anos, ajudou a reduzir a criminalidade e homicídios que chegaram a taxas epidêmicas em 1999 (104,5 por 100 mil habitantes) e caíram para 9 por 100 mil em 2011.

O PT disse que a proposta é populista. Mas reconhece que a juventude é hostil ao partido.

Alerta. O presidente do PT-SP, deputado estadual Edinho Silva, reconhece que, no Grande ABC, o partido enfrenta o pior cenário em Diadema. "Era uma eleição que tínhamos tudo para ganharmos no 1.º turno e acabou se caracterizando o 2.º turno. A situação mais difícil é Diadema. Existe um sentimento de que o PT governa há três décadas e é hora de mudar", diz o dirigente. "Talvez nossa campanha não tenha se atentado ao sentimento de mudança que cresceu."

A executiva estadual do PT pediu ao prefeito reeleito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), ajuda a Reali na última semana de campanha, como esforço final para evitar a derrota. Antes, Marinho concentrava-se em Santo André. / F.F. e P.R.

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