Aparecido nega relação irregular com empreiteiro

Ele afirma que contatos foram políticos e doações, legais; chefe da Casa Civil diz ainda que confia na inocência do ex-assessor

O Estado de S.Paulo

14 Abril 2013 | 02h12

O secretário-chefe da Casa Civil Edson Aparecido (PSDB) admitiu contatos com o empreiteiro Olívio Scamatti, preso pela Operação Fratelli, mas rechaçou a prática de malfeitos. "Ele nunca solicitou nada que indicasse qualquer irregularidade. Nada mesmo, nenhuma coisa."

Aparecido relatou que conheceu Scamatti em 2006. Ele confirmou ter recebido doação de campanha do Grupo Demop. "Tudo registrado oficialmente na Justiça Eleitoral, conforme a exigência da lei."

O secretário de Alckmin demonstra tranquilidade ao comentar a Fratelli. Ele não é alvo direito da investigação.

O tucano disse que ficou sabendo na noite de quinta-feira da prisão de seu antigo auxiliar Osvaldo Ferreira Filho. Disse que "ficou chocado, é evidente". Acredita na inocência de Osvaldinho. "Se houve algo irregular tem que ser apurado, mas acho que ele vai responder à altura."

Aparecido diz ter conhecido Osvaldinho no início dos anos 2000. "Ele me ajudou (em uma campanha eleitoral) de forma sempre correta e eu o convidei para trabalhar em meu gabinete. Ele fazia assessoria, trazia reivindicações da região (São José do Rio Preto) na área da saúde, por exemplo. Eu tinha vários assessores", afirmou Aparecido.

"Por volta de 2010 eu decidi que ele (Osvaldinho) não deveria mais ficar na assessoria e ele decidiu que deveria tocar a vida dele, nada mais", completou o secretário do governo Alckmin. Depois só houve contatos esporádicos, segundo Aparecido. "Ele deixou de trabalhar comigo já faz uns três anos. Poucas vezes eu o vi."

Empreiteiro. Sobre os diálogos com o empreiteiro Scamatti, que a Operação Fratelli grampeou, Aparecido disse que sempre tratou apenas de assuntos exclusivamente políticos. "Eu o conheço, mantive contatos telefônicos sem que tenha havido qualquer irregularidade. Não vou fazer juízo de valor, mas não acho que tenha superfaturamento (nas obras de Scamatti)."

O secretário de Alckmin comentou sobre o episódio envolvendo o ex-prefeito de Auriflama, alvo de grampos da Fratelli. "O Zé Prego me procurou para falar de uma estrada, tinha problemas na obra que precisava entregar. É um prefeito que sempre ajudei muito, ele chegou a vir para o PSDB. Não há nenhuma ilicitude nisso. Fui bem votado na cidade dele durante três ou quatro eleições. Ajudei na saúde, creche, estradas. Ele nunca me pediu nada que não fosse correto."

Antes de ser secretário-chefe da Casa Civil de Alckmin, Aparecido comandou a pasta de Desenvolvimento Metropolitano do Estado, além de ter sido deputado estadual e deputado federal pelo PSDB. / F.M e F.G.

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