Marcio Fernandes/Estadão
Marcio Fernandes/Estadão

Aos 90, ex-governador Paulo Egydio mantém olhar político

Tucano defende candidatura de Alckmin e uma aliança entre PSDB e MDB na campanha

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

03 Maio 2018 | 05h00

O ex-governador Paulo Egydio Martins, 90 anos completados nesta quarta-feira, 2, mantém olhar atento ao cenário político atual e à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF).  “A Justiça é o ponto alto da democracia. Devemos apoiar a Justiça de qualquer maneira, em todos os níveis. As medidas no Judiciário são muito boas para passar o Brasil a limpo”, disse ele, ao Estado

Filiado ao PSDB (ele não se lembra quando assinou a ficha), ele cobrou apuração rigorosa das denúncias contra o senador Aécio Neves (MG), réu no STF por corrupção passiva e obstrução de Justiça após ser flagrado pedindo dinheiro ao empresário Joesley Batista.

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Sobre o cenário político atual, o ex-governador celebrou uma eventual aproximação entre o pré-candidato tucano Geraldo Alckmin (seu candidato), e o presidente Michel Temer.  “Tudo que puder reforçar a candidatura do Alckmin é coisa boa, desde que ele não se associe a bandidos. Me consta que Temer não é bandido. Essa é uma associação que reforça o Alckmin, por isso considero muito importante”, disse ele.

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Chefe do Executivo paulista entre 1975 e 1979, Paulo Egydio Martins era aliado do então presidente Ernesto Geisel e opositor da chamada linha dura do governo quando enfrentou sua maior crise política: o assassinato do jornalista Vladimir Herzog nas dependências do DOI-Codi, no dia 25 de outubro de 1975. 

Em depoimento à Comissão da Verdade de São Paulo em 2013, ele disse que o crime fazia parte de um plano para endurecer ainda mais o regime. “Queriam um regime mais forte, mais violento”, afirmou.  Filiado à época à Arena – partido do regime –, ele se opôs à estratégia do general Ednardo Dávila Melo, comandante do 2.º Exército, que queria “aprofundar” o combate aos que tentavam “subverter” o governo. Em janeiro de 1976, ele foi o primeiro a informar ao presidente sobre o assassinato do operário Manuel Fiel Filho. O crime levou Geisel a exonerar Ednardo do seu posto.

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