REUTERS/Adriano Machado
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Ao se lançar ao Planalto, Simone ataca Bolsonaro, ‘aventureiros’ e defende responsabilidade fiscal

Apresentada pelo MDB como pré-candidata à presidência da República, Tebet é a primeira mulher na corrida presidencial de 2022; senadora pelo Mato Grosso do Sul se destacou por atuação na CPI da Covid

Marcelo de Moraes e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2021 | 16h22

Com um forte discurso de cunho social, a senadora Simone Tebet (MDB-MS) foi lançada oficialmente, nesta quarta-feira, como pré-candidata ao Palácio do Planalto. Simone escolheu dois adversários principais: o primeiro foi o presidente Jair Bolsonaro, a quem acusou de promover “a discórdia” e de não saber para onde leva o País. O segundo alvo foi o que chamou de “aventureiros e de outsiders” da política, no que foi considerado como um movimento de oposição à candidatura do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro.

Contra Bolsonaro, Simone foi direta nas críticas e ainda mirou também no ministro da Economia, Paulo Guedes. Ao defender a recriação do Ministério do Planejamento como medida prioritária, a senadora reclamou da falta de rumo do governo. “Mais importante do que o ministro da Economia é o ministro do Planejamento. Um País que não planeja não sabe para onde vai. É um País como nós temos hoje. Sem comandante e com um piloto da economia que não sabe para onde vai. Ele não tem bússola, ele não tem rumo”, reclamou.

Simone protestou também contra a submissão do governo ao Centrão e do poder excessivo que foi dado ao relator do Orçamento, que se ampliou imensamente a partir do estabelecimento das emendas do chamado orçamento secreto, esquema de "toma lá dá cá" do governo de Jair Bolsonaro para obter apoio no Congresso.

“Ele (governo) fica servo e submisso a um Congresso Nacional, parte dele considerado do Centrão, que tem emendas orçamentárias tamanhas que o relator geral é hoje considerado o primeiro-ministro do País. Não é possível avançar, não é possível desenvolver. Não é possível garantir serviços públicos de qualidade, educação pública de qualidade, o SUS bem financiado, conseguir um ambiente seguro de negócios, para poder chamar a iniciativa privada e dizer: se somem conosco”, afirmou Simone.

Antes, a senadora já tinha dito também que “o governo que aí está cria crises artificiais”. “Mas, mais grave do que isso, promove o discurso do ódio, a polarização. Numa única palavra, quer aniquilar as minorias", afirmou.

Em relação a Moro, Simone não fez referências diretas, mas o recado foi claro. A senadora procurou se apresentar como uma política experimentada e como uma opção segura em relação a nomes que nunca disputaram eleições, como é o caso do ex-ministro da Justiça.

“O Brasil não pode estar mais à mercê de aventureiros, de outsiders. É preciso experiência administrativa e de gestão", disse Simone.

Já sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a senadora foi mais amena, criticando apenas a polarização que divide o País. Com o MDB cheio de políticos bem relacionados com o petista, a diferença de tratamento ficou evidente. Mas Simone garantiu que “não poupou ninguém” no seu discurso.

Esse flerte de setores importantes do partido com Lula poderá se tornar uma das dificuldades internas do MDB para consolidar a candidatura de Simone. Nesta quarta, alguns emedebistas com boa relação com Lula, acabaram não comparecendo ao evento de lançamento de Simone. Entre eles, o senador Renan Calheiros e seu filho, o governador de Alagoas, Renan Filho; a ex-governadora Roseann Sarney; o ex-presidente do Senado Eunício Oliveira (CE), por exemplo.

No bloco de pré-candidatos que se apresentam como representantes da chamada terceira via, Simone tentou firmar sua posição de priorizar o discurso em defesa do fim das desigualdades sociais e do combate à pobreza extrema. Diante dos presidentes do PSDB, Bruno Araújo, e do União Brasil, Luciano Bivar, que desejam uma aliança em torno de um candidato da terceira via, Simone acabou se emocionando ao dizer que decidiu disputar a presidência por conta da existência de milhões de crianças no Brasil “passando fome”.

Se declarando “liberal moderada”, a senadora também fez uma forte defesa da responsabilidade fiscal. “Sem responsabilidade fiscal, nós já sabemos esse caminho nefasto. Nós não garantimos o que é necessário para esse caminho ser feito", afirmou Tebet ao defender uma renda básica com porta de saída e "igualdade de oportunidades".

E a senadora procurou sinalizar para o mercado e para os investidores oferecendo um compromisso de garantir segurança institucional, jurídica e sócio-ambiental caso vença as eleições.  

“Nós garantimos as três seguranças necessárias para o ambiente de negócios. Segurança institucional. Amamos a democracia e não abrimos mão dela. Segurança jurídica. Respeitamos a Constituição e os acordos firmados. Não se garante estabilidade e segurança em investimento público ou privado, internacional ou nacional, dando calote em precatório. E em terceiro lugar, garantimos a vocês investidores, segurança sócio-ambiental. Queremos crescimento com qualidade de vida, que é sinônimo de desenvolvimento. É essa resposta que eu tenho de dar para o mercado. Não quem vai nos orientar na equipe econômica. O economista é fundamental, para, depois, com o arcabouço criado, poder nos dar o suporte, garantindo a responsabilidade fiscal”, disse.

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