Ao rebater ataques, Marina compara PT a Collor

Ex-ministra relembrou campanha de 1989 e disse estar sendo vítima de 'punhal enferrujado'; sobre pesquisa Ibope desta sexta, Marina disse que levantamento 'representa um momento da campanha'

Mariana Sallowicz, O Estado de S. Paulo

12 de setembro de 2014 | 13h23

 Rio - Após a divulgação da pesquisa de intenção de votos do Ibope nesta sexta-feira, 12, a candidata à Presidência Marina Silva (PSB) afirmou que as "pesquisas representam um momento da campanha" e associou a estratégia do PT de atacá-la constantemente à utilizada pelo ex-presidente Fernando Collor, em 1989.

"Eu vi o (Fernando) Collor de Mello ganhar uma eleição do Lula usando a mesma estratégia que a presidente está usando. E não foi um resultado bom para o País, porque o dividiu. Eu quero ganhar uma eleição com base no debate, nas propostas, e não com a indústria da calúnia, da mentira, do boato, do preconceito e da difamação. Eu lutei muito quando faziam a mesma coisa que fazem agora comigo. O mesmo punhal enferrujado está agora sendo usado contra mim", afirmou ela lembrando que não "vale tudo" para ganhar a eleição. 

A comparação de Marina ocorre quase duas semanas após a campanha petista associar em suas inserções a ex-ministra a Collor e a Jânio Quadros. Na ocasião a comparação foi alvo de críticas dentro do próprio PT e do ex-presidente Lula

Na pesquisa divulgada nesta sexta, a presidente Dilma Rousseff voltou a liderar o resultado no primeiro turno, com 39% das intenções de voto. Marina Silva, que tinha 33% no último levantamento, foi para 31%. Ainda assim, a ex-ministra indicou que não deve mudar sua estratégia. "Nós vamos fazer o debate, não o embate. Vamos continuar dialogando com a sociedade", disse a jornalistas em entrevista coletiva após evento realizado na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), no Rio.

"Somos diferentes em relação ao projeto que hoje tem uma estratégia de agressão, de boatos. A sociedade brasileira tem maturidade. No decorrer do processo, haverá de firmar o seu posicionamento com base nas ideias que estamos apresentando", disse.

A candidata - que durante o evento já tinha feito a crítica - voltou a cobrar os seus adversários de apresentarem o seu programa de governo. "Nós apresentamos propostas através de um programa que os nossos adversários ainda não apresentaram seus programas. Para que as metas em relação aos 10% do PIB para a educação possam ser antecipadas com a escola de tempo integral, para que os nossos jovens possam ter uma escola de qualidade que melhore as suas vidas".

A respeito do tema de segurança, disse que está nacionalizando o debate desse assunto. "Todos os demais candidatos fazem o debate como se fosse um problema dos Estados, e não do governo federal. Em um País em que 56 mil pessoas são assassinadas por ano. A maioria pessoas jovens e negras das periferiais", disse.

Segundo a ex-ministra, haverá o "pacto pela vida", com a ampliação dos recursos do fundo nacional de segurança. "Vamos em parceria com os governadores e diferentes setores da sociedade fazer com que se tenha uma segurança que combata o tráfico de armas, de drogas e respeite a vida dos cidadãos".

Sobre a crítica de que o seu discurso de que governar com os melhores não funciona, disse ser insustentável defender que se governe com os piores. "Eu estou dizendo que quero governar com os melhores e acredito que existem pessoas boas em todos os lugares, dentro dos partidos, dentro do Congresso, na gestão pública. Se a Dilma se conforma em conversar com os piores, esse não é o meu objetivo". A candidata acrescentou que quer "conversar com os melhores" e disse que isso não significa "negar os partidos". "Muito pelo contrário, é buscar o que há de bom neles para revigorá-los".

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