Ao lado de tucanos, empresariado faz aposta em Marina

Ao lado de tucanos, empresariado faz aposta em Marina

Setor, que sempre demonstrou preferência por Aécio, indica em evento com FHC e Armínio Fraga que não crê em vitória do PSDB

Pedro Venceslau e Elizabeth Lopes , O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2014 | 21h48

A tentativa do candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, de transformar em uma “onda de razão” seu crescimento nas pesquisas de intenção de voto mais recentes - que foi de dois pontos, segundo o Datafolha, e de quatro, de acordo com o Ibope - não entusiasmou o empresariado. 

Depois de uma almoço com 602 empresários de grande porte ontem em São Paulo, em torno do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, apontado como virtual ministro da Fazenda em caso de vitória tucana, uma pesquisa em tempo real feita entre os presentes mostrou que o segmento está cético em relação a uma virada. 


Coordenado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e encomendada pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), o levantamento fez diversas perguntas para medir “o clima empresarial” em tempo das eleições. Uma delas questionou quem vencerá a disputa presidencial. A candidata do PSB, Marina Silva, apareceu em primeiro lugar, com 53%, seguida de Aécio Neves (PSDB), com 35%, e Dilma Rousseff , com 12%. 

A mesma pergunta foi feita pelo Lide e FGV aos empresários nos últimos cinco eventos do gênero realizados desde março. Em todas as ocasiões, até então, Aécio liderou com folga: 56% em março, 60% em maio, 80% em julho e 64% em agosto. Antes da morte de Eduardo Campos, a chapa do ex-governador com Marina alcançou 14% nos meses de março e maio, caindo para 8% em julho. Em agosto, depois do acidente, Marina chegou a 19%. 

Dramatização. Liderado pelo empresário ligado ao PSDB João Dória, presidente do Lide, o almoço foi usado como palanque por FHC e Fraga. Em sua fala, o ex-presidente defendeu que o PSDB “dramatize” o episódio mais recente envolvendo a Petrobrás no horário eleitoral gratuito. Os jornalistas questionaram como deveria ser a “dramatização”. 

“Não sou marqueteiro, mas a dramatização é um modo de comunicação importante. A Marina (Silva) respondeu à Dilma de forma dramática quando disseram que ela acabaria com o Bolsa Família. Por que o Aécio não pode fazer isso?” 

Ainda segundo FHC, o caso do ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, preso na Operação Lava Jato da Polícia Federal, pode ser comparado ao mensalão. “Cabe um paralelo entre o mensalão e o caso Petrobrás. O mensalão obteve recursos públicos e privados para financiar deputados que apoiassem o governo. Ao que parece, o processo é o mesmo: utilizaram recursos públicos da Petrobrás para financiar partidos da base aliada”, sustentou. 

Em outra passagem, o tucano, que foi aplaudido de pé três vezes e por mais de cinco minutos em cada uma delas, citou Roberto Jefferson, um dos pivôs do mensalão, como outro exemplo de dramatização. 

“Não haveria o mensalão se não fosse o Roberto Jefferson. Em certos momentos, é preciso dramatizar para que a população sinta o que está acontecendo. O que está acontecendo na Petrobrás é passível de uma indignação direta, porque exemplifica o que está acontecendo em muitos outros lugares.” 

‘Esparadrapo’. Questionado sobre a promessa de Aécio de acabar com o fator previdenciário, mecanismo criado em sua gestão para desestimular aposentadorias precoces, FHC desconversou. “O fator previdenciário é uma espécie de esparadrapo para resolver uma situação que não está resolvida. O que o Aécio diz é que, com a economia crescendo, é possível buscar um caminho melhor do que simplesmente esse esparadrapo. E que vá mais fundo.”

A decisão do presidenciável tucano de prometer acabar com o fator foi criticada por especialistas, que apontam incompatibilidade entre a proposta e o austero programa econômico coordenado por Fraga. O ex-presidente do BC preferiu não se manifestar sobre o tema. 

Ironia. Durante entrevista coletiva após o almoço, Fraga ironizou uma declaração da presidente Dilma na semana passada, quando disse que não é função da imprensa investigar, mas divulgar. 

“É importante que vocês (jornalistas) parem de investigar as coisas. A imprensa está com essa mania de investigar”, provocou o economista. 

Em sua fala, Fraga criticou a propaganda do PT que ataca Marina por ela defender a autonomia do Banco Central. “Não foi um ataque ao nosso candidato e, sim, a Marina Silva, mas é uma loucura dizer que a independência do Banco Central vai criar uma ameaça aos programas sociais do Brasil. É um absurdo total.” 

No comercial veiculado pelo PT, a proposta de dar autonomia ao BC é relacionada à falta de comida na mesa dos brasileiros. “A estabilidade da moeda é um bem público. Hoje é consenso que o BC precisa se concentrar na estabilidade”, concluiu. 

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