Daniel Teixera/Estadão
Daniel Teixera/Estadão

Ao lado de Kassab, Matarazzo critica corrupção e se lança candidato com evangélica como vice

Chapa do PSD foi oficializada em convenção transmitida pela internet

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

31 de agosto de 2020 | 19h40

O PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab confirmou nesta segunda-feira, 31, primeiro dia de convenções partidárias para a eleição, a indicação do ex-vereador Andrea Matarazzo como candidato a prefeito de São Paulo. Ele terá como vice a deputada estadual Marta Costa, do mesmo partido, que foi vereadora na cidade por três mandatos. 

Marta Costa é uma política que tem como base a Assembleia de Deus, tendo sido indicada pela igreja aos cargos públicos anteriores, e seu nome é um aceno ao eleitorado conservador que Matarazzo também buscará na eleição. Ela citou Deus e a bíblia por duas vezes ao falar ao público, já como candidata. “A bíblia diz que, quando o justo governa, o povo se alegra. Mas quando o ímpio (cruel) governa, o povo geme”. 

Kassab falou por duas vezes na convenção, que foi transmitida pela internet por causa da pandemia do coronavírus, e saiu antes de que os jornalistas fizessem perguntas. Ele está afastado da Secretaria Estadual da Casa Civil desde janeiro do ano passado após ter sido alvo de uma operação da Polícia Federal, acusado de ter recebido propinas da J&F entre 2010 e 2016, quando era o prefeito. 

Ao atender jornalistas depois da convenção, Matarazzo disse que as acusações contra o ex-prefeito não serão um problema para sua campanha. “Conheço o Kassab há 50 anos.” No discurso que o oficializou candidato, o ex-vereador citou o combate à corrupção como uma das ações prioritárias. “Sobre burocracia e corrupção, acho que nem precisamos falar”, disse o candidato, ao citar sistemas de licenciamento eletrônicos como métodos de evitar a ação de servidores corruptos. 

Matarazzo não fez nenhuma menção ao governo do Estado ou ao governador João Doria (PSDB), cujo processo de indicação para o cargo de prefeito, em 2016, gerou uma ruptura que terminou por tirar Andrea, ex-tucano, do partido. Fez críticas à gestão de Bruno Covas (PSDB) que passaram pelas obras do Vale do Anhangabaú (“um chafariz iluminado de R$ 100 milhões) à decisão de comprar tablets para os alunos em casa por causa da pandemia às vésperas da eleição (“Será que a secretaria da educação não sabia que não tem internet na periferia de São Paulo?”).

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Além de vereador, Matarazzo foi subprefeito da Sé, secretário de Serviços e das Subprefeituras nas gestões Kassab e, antes, José Serra (PSDB). Sua vida pública inclui passagens a secretaria estadual de Energia e Cultura na gestão de Mário Covas. No governo Fernando Henrique Cardoso, foi  ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência e embaixador do Brasil na Itália, em Roma.

A primeira ação de sua campanha, um vídeo divulgado na convenção, destacou reportagem da revista Veja publicada na gestão Kassab em que Andrea foi chamado de "xerife", fama que ele pretende explorar. A campanha também deve destacar que Matarazzo conhece particularidades de diversos bairros da cidade e as origens de sua família -- ele é sobrinho neto do empresário Francesco Matarazzo, importante industrial da cidade do século passado. 

O PSD terá 69 candidatos a vereador, segundo o partido, com 35% de mulheres. Ao falar com os correligionários, que estavam na convenção pela internet, Kassab prometeu aos eleitos que, se quiserem, terão apoio da legenda para, já em 2022, se lançarem deputados federais.

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