Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Ao lado de Bolsonaro, Lira e Pacheco fazem defesa do resultado das urnas no Congresso

Contexto eleitoral domina discursos da cúpula do Congresso na abertura do ano legislativo; presidente faz referência a Lula

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2022 | 21h46

BRASÍLIA - Em solenidade da qual participou o presidente Jair Bolsonaro (PL), a cúpula do Congresso Nacional fez nesta quarta-feira, 2, durante a abertura do ano legislativo, manifestações em defesa do resultado das urnas e da distensão política neste ano eleitoral.

Em seu discurso, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), alertou para o risco de fake news nas eleições e defendeu a liberdade dos cidadãos e de imprensa. Afirmou, ainda, que é preciso estar vigilante “contra a mínima insinuação de investida autoritária” no País. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), pediu “convergência de esforços” dos três Poderes para enfrentar os desafios de 2022, e apelou para que os políticos deixem o debate eleitoral para “o momento de campanha”. 

A reabertura dos trabalhos no Congresso ocorreu um dia depois das solenidades da volta do Judiciário – marcadas por falas contundentes dos presidentes do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, e do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso, em defesa do estado democrático de direito. Fux participou da cerimônia do Congresso.

Bolsonaro usou seu discurso na abertura do ano legislativo para se contrapor ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu principal adversário na eleição presidencial deste ano. Disse que “nunca” vai se dirigir ao Congresso para pedir a regulação da mídia ou anular a reforma trabalhista. “Nunca me verão vir aqui no Parlamento pedir pela regulação da mídia e da internet. Também nunca virei aqui para anular a reforma trabalhista aprovada no Congresso. Direitos trabalhistas continuam intactos”, afirmou Bolsonaro, que já ameaçou agredir jornalistas e fechar jornais em diversas ocasiões.

O trecho do discurso sobre a regulação da mídia foi um improviso do presidente e não constava do texto original divulgado pelo Palácio do Planalto. O PT defende a revogação da reforma trabalhista aprovada no governo Michel Temer. A regulação da mídia é uma proposta antiga do partido, mas, recentemente, Lula indicou um recuo e disse que este não é assunto do Executivo.

A reabertura das atividades do Congresso tem caráter simbólico. É quando o presidente da República entrega ao Congresso a mensagem do Executivo com as prioridades do ano.

‘Poder do voto’

Ainda no contexto eleitoral, o recado mais enfático na cerimônia foi dado por Pacheco. “Nós, enquanto eleitores, tenhamos esperança no poder de um único voto. Votar para simplesmente evitar ou derrotar um determinado candidato por mero preconceito ou rejeição é fazer pouco do poder que o voto atribui ao eleitor. Lembremos da importância de bem escolher os mandatários que definem os destinos da Nação”, afirmou o senador.

Pacheco é colocado como um dos pré-candidatos à Presidência em outubro, mas, como mostrou o Estadão/Broadcast Político, ele avalia desistir da disputa para negociar sua recondução ao comando do Senado, em fevereiro de 2023. “Num ano de eleições gerais, caberá ao povo bem escolher seus representantes. Aos vencedores, fazer de seu mandato um verdadeiro serviço; e, aos perdedores, respeitar o resultado das urnas”, disse Pacheco.

Lira destacou a importância dos desafios que se apresentam ao País em 2022. “Disputas e tensionamentos devem ficar para o momento de campanha. Agora, o momento é de união e diálogo, porque o País tem pressa.” Após uma sequência de episódios de tensão entre Planalto e STF, Lira declarou que a Câmara foi “fiadora” da estabilidade. “Segurou trancos e sobressaltos, arrefeceu crises e diminuiu a pressão.”

No ano passado, em diversas ocasiões, Bolsonaro afirmou que, sem a adoção do voto impresso – rejeitado pelo Congresso –, não haveria eleição em 2022. Ontem, voltou a dizer que a liberdade não pode ser violada. Cinco dias depois de descumprir ordem do ministro do STF Alexandre de Moraes para prestar depoimento, o presidente também prometeu respeitar a harmonia entre os Poderes.

Colaboraram: Daniel Weterman, Eduardo Gayer, Iander Porcella, Izael Pereira e Weslley Galzo.

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