Ao estrear no cargo, Braga tentou, em vão, evitar a debandada

Senador do Amazonas, à frente da bancada no Senado, procurou colega Alfredo Nascimento em busca de um acordo

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2012 | 03h06

O novo líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), até tentou conciliar, estendendo a bandeira branca a seu maior adversário político no Amazonas, o presidente nacional do PR, senador Alfredo Nascimento (AM). Depois de um cumprimento cordial no plenário, quando cochichou no ouvido do conterrâneo que precisará dele em sua nova missão, Braga ainda fez questão de telefonar para Nascimento ontem pela manhã.

Por um momento, o líder chegou a acreditar que o gesto de boa vontade facilitaria seu diálogo junto ao PR, em plena crise com o Planalto. Afinal, o próprio Nascimento fizera questão de retribuir o afago publicamente, durante a reunião da Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, presidida por Braga pela última vez ontem de manhã.

O presidente do PR disse que não estava disposto a criar dificuldade ao trabalho de Braga na liderança, seja como senador ou presidente de partido. Na tentativa de mostrar que adversários não são necessariamente inimigos ou desafetos, e que não tem mágoa pela escolha presidencial, ele disse que nos casos em que discordar do governo discutirá as questões, mas não trabalhará olhando para o retrovisor.

Mais tarde, no entanto, ajudou a comandar a reunião da bancada do PR no Senado que decidiu romper com o governo. E, ao esclarecer que aquela decisão nada tinha a ver com a escolha do novo líder, e sim com nove meses de insatisfações acumuladas com o Planalto, afirmou: "Mesmo na oposição, vamos sempre tratar bem o Eduardo, compreendendo que ele tem a tarefa de ser o homem do governo no Senado". Ato contínuo, previu que Braga precisará de "muita humildade e paciência" nesta tarefa de substituir "um craque" - o senador Romero Jucá.

Apesar de o presidente do PR e seus companheiros de bancada no Senado terem deixado a base governista, o Planalto ainda tem espaço político para tentar evitar que o rompimento se alastre para a Câmara. Foi o que disse no início da noite, da tribuna, o líder da legenda na Câmara, Lincoln Portela. "O Senado às vezes toma posições independentes. Aqui na Câmara não há um sentimento de rompimento ", disse, ao lembrar que o líder no Senado, Blairo Maggi, foi convidado para comandar o Ministério dos Transportes e recusou a oferta.

Há um racha entre Câmara e Senado, pois os deputados reclamam que Blairo atropelou a bancada, quando recusou a oferta sem consultar o partido. "Ele se reportou diretamente à presidente Dilma e, por isto, ela pôs o Paulo Sérgio Passos, que já havia sido ministro do partido durante a campanha eleitoral de 2010", justificou Portela. / C.S.

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