Ao assumir corrupção na Petrobrás, Dilma tenta ganhar o eleitor

Presidente admitiu pela primeira vez que houve desvio de recursos na estatal e que governo vai requerer ressarcimento

João Domingos, Nivaldo Souza, O Estado de S. Paulo

19 de outubro de 2014 | 18h42

BRASÍLIA - A decisão da presidente Dilma Rousseff de admitir que houve mesmo corrupção na Petrobrás tem um objetivo eleitoral. De acordo com informação de integrantes da campanha à reeleição da presidente, Dilma manterá o discurso de que o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa foi demitido por ordem dela e que o anúncio feito na sexta-feira pela Petrobrás de ir atrás do dinheiro desviado no esquema de corrupção ocorreu por orientação da presidente. Ela acha que terá mais a ganhar do que a perder. 

A campanha de Dilma concluiu que o fato de o tucano Aécio Neves ter admitidoque errou, durante debate promovido pelo SBT, pelo UOL e pela Jovem Pan ao não se submeter ao teste do bafômetro durante uma blitz no Rio de Janeiro, em 2011, foi interpretad como um gesto humilde e simpático pelo eleitor. Portanto, assumir que houve desvio de recursos da Petrobrás por um dirigente nomeado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mantido por ela, pode ter esse mesmo efeito. 

Além do mais, a campanha de Dilma lembra que ela não havia negado as irregularidades. Vinha dizendo que Paulo Roberto Costa tinha sido demitido por ordem dela. E que o próprio PT nunca considerou as denúncias como calúnias, tanto é que não ameaçou processar os meios de comunicação nem Aécio Neves por atribuir o escândalo da Petrobrás ao governo. O PT reagiu somente quando as denúncias chegaram ao tesoureiro do partido, João Vaccari Neto.

Antes da decisão tomada por Dilma, seus principais colaboradores de campanha se dividiram entre os que defendiam que a presidente mudasse sua forma de se referir às irregularidades relatadas por Paulo Roberto Costa na delação premiada que negociou com o Ministério Público. Uma parte dizia que não dava para negar o óbvio. Outros achavam que Dilma não deveria, jamais, admitir a corrupção na estatal.

Do lado dos que defendiam a mudança por parte de Dilma ficaram os ministros Thomas Traumann (Comunicação) e Ricardo Berzoini (Relações Institucionais), o marqueteiro da campanha, João Santana, o coordenador Miguel Rossetto, ministro licenciado do Desenvolvimento Agrário, o governador de Bahia, Jaques Wagner, e o governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel, muito ligado à presidente da República.

Do outro lado encontravam-se o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil), o presidente do PT, Rui Falcão, e o ex-ministro Franklin Martins, que cuida da parte da campanha nas redes sociais.

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