Anúncio surpreende governo e oposição

Auxiliares de Dilma dizem que discurso duro de Marina chamou atenção; em nota, Aécio afirma que decisão fortalece seu campo político

JOÃO DOMINGOS , DÉBORA ÁLVARES, MARCELO DE MORAES / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2013 | 02h03

A aliança entre Marina Silva surpreendeu tanto a presidente Dilma Rousseff quanto o senador Aécio Neves. O discurso da ex-ministra no ato de filiação ao PSB em Brasília foi considerado duro e até "rancoroso" por auxiliares da petista. Segundo eles, isso indica que a dupla tentará ocupar o espaço da oposição. Já os tucanos veem, com a parceria, o fortalecimento do projeto de levar a disputa para o 2.º turno.

De Nova York, onde está para reunião com empresários, Aécio disse, por intermédio de uma nota oficial divulgada no meio da tarde, que a decisão tomada por Marina é uma reposta "às ações autoritárias do PT, especialmente aos membros do partido que chegaram a comemorar antecipadamente a exclusão da ex-senadora do quadro eleitoral do próximo ano, com a impossibilidade de criação da Rede". Para o tucano, a filiação de Marina não vai tomar o seu lugar na oposição, como pensa a presidente. "A presença de Marina Silva fortalece o campo político das oposições e contribui para o debate de ideias e propostas, tão necessários para colocar fim a esse ciclo de governo do PT que tanto mal vem fazendo ao País", afirmou o provável candidato à Presidência por meio da nota.

'No vulto'. A notícia da aliança pegou de surpresa a equipe que já trabalha na pré-campanha do senador mineiro. "É muito difícil que, no Brasil, uma operação política dessa magnitude tenha sido conduzida nesse vulto", afirmou o senador tucano Aloysio Nunes (SP), que acompanha Aécio em suas viagens de fim de semana pelo País.

De acordo com o senador tucano, ainda é cedo para avaliar os impactos diretos da decisão nas intenções de voto de cada candidato. "Agora vamos ter duas candidaturas muito fortes de oposição ao governo. Dessa forma, com certeza teremos os 2.º turno", ressaltou.

'Leito próprio'. Embora afirme que PSDB e PSB vão trabalhar juntos no projeto de oposição na campanha, o deputado tucano Marcus Pestana (MG), um dos principais cabos eleitorais de Aécio, destaca que a sua legenda dispõe de um espaço já delineado no eleitorado brasileiro e, por isso, não há temor em relação à união Campos e Marina. "Temos nosso próprio leito. Medimos a estratégia com a nossa régua e o nosso compasso. Temos densidade programática e um grande candidato", ressaltou Pestana.

A última pesquisa Ibope encomendada pelo Estado, divulgada semana passada, mostra a ex-ministra do Meio Ambiente no segundo lugar na preferência do eleitorado brasileiro, com 16% das intenções de voto, atrás apenas de Dilma (38%), do PT. Aécio vinha em terceiro, com 11% das intenções de voto. O governador pernambucano se mantinha em quarto lugar, com 4%.

Para o deputado federal Paulo Teixeira (SP), que integra a direção petista, a aliança entre Marina e Campos dá certeza, a todos, de que o governador de Pernambuco será candidato a presidente da República. "Se alguém tinha alguma dúvida, ela agora acabou", disse ele.

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