Erich Macias Rodrigues / Futura Press
Erich Macias Rodrigues / Futura Press

Dr. Furlan derrota irmão de Alcolumbre e é eleito prefeito de Macapá

Deputado estadual, médico vence pleito com 55,67% dos votos; resultado é nova derrota para Bolsonaro, que havia apoiado Josiel Alcolumbre

Amanda Pupo, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2020 | 18h42
Atualizado 20 de dezembro de 2020 | 20h00

BRASÍLIA – Em votação adiada devido ao apagão em Macapá, o médico e deputado estadual Antônio Furlan (Cidadania), o Dr. Furlan, foi eleito neste domingo, 20, prefeito da capital do Amapá, derrotando Josiel Alcolumbre (DEM), irmão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM).

Furlan obteve 55,67% dos votos (101.091), ante 44,33% (80.499) de Josiel, que recebeu apoio do irmão e também do presidente Jair Bolsonaro, que já havia sofrido derrotas importantes nas eleições municipais deste ano. Dos 16 candidatos a prefeito apoiados pelo presidente, 12 perderam as disputas. Agora, Josiel se soma à lista.

Em vídeo que circulou neste sábado, 19, Bolsonaro pediu voto para Josiel e afirmou que o candidato do DEM seria um prefeito “perfeitamente afinado com o presidente da República”.

“Eu peço a você que está indeciso, que leve em conta primeiro quem está do outro lado, qual é o senador que está apoiando a outra chapa, que sempre atrapalhou a gente”, afirmou Bolsonaro, em referência a Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que apoiou Dr. Furlan. “Neste momento, eu peço a você, do fundo do coração: vote em Josiel para prefeito de Macapá. Um prefeito perfeitamente afinado com o presidente da República”, disse.

O resultado mostra uma inversão do primeiro turno. Na ocasião, Josiel tinha obtido 59.511 (29,47%) votos válidos contra 32.369 (16,03%) de seu opositor. 

O pleito para a prefeitura da cidade foi adiado após o Estado enfrentar uma grave crise no abastecimento de energia por cerca de três semanas. O envolvimento do presidente do Senado e a crise energética projetaram nacionalmente a disputa em Macapá.

Josiel liderou as intenções de voto ao longo de toda a campanha, mas perdeu tração com o apagão no Estado. Foram quatro dias de apagão e um racionamento por cerca de 20 dias até que a situação do abastecimento se normalizasse. 

Os adversários responsabilizaram o governo federal pela pane, e associam o senador e seu irmão a Bolsonaro. O candidato do Cidadania recebeu o apoio de Podemos e PRTB e o “voto crítico” de PSB e Rede para enfrentar a ampla coligação de Josiel. Já o irmão de Davi Alcolumbre recebeu apoios tanto do atual prefeito, Clécio Luis, quanto do governador Waldez Góes (PDT).

O atual prefeito, que termina seu segundo mandato, teve um desentendimento com seu próprio partido após declarar sua torcida a Josiel. 

Clécio pediu a desfiliação da Rede Sustentabilidade em agosto depois de sofrer críticas internas de correligionários que desaprovaram sua decisão, e atualmente está sem partido.

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