Antes fria, sabatina ganha ares inéditos de confronto

Análise: Felipe Recondo

O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2012 | 03h19

O julgamento do mensalão transformou a sabatina do ministro Teori Zavascki, indicado para o Supremo Tribunal Federal, num confronto entre governistas e oposicionistas. O tom da sabatina rompe com a tradição da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) de apenas chancelar as indicações do presidente da República. O conflito envolvendo a escolha de um ministro para a Suprema Corte é tradição nos Estados Unidos, cujo modelo inspira o STF. Mas, ao contrário das ideologias que alimentam as divergências entre democratas e republicanos, a sabatina de Zavascki teve só o mensalão como conflito.

Se na primeira pergunta que lhe foi feita pela oposição Teori Zavascki tivesse respondido categoricamente que não participaria do julgamento do mensalão, a sabatina voltaria a ser o que tem sido: uma sessão de bajulação. Como disse que não poderia se pronunciar sobre julgamento em curso, a polêmica permaneceu. Senadores de oposição quiseram saber como ele se posicionaria sobre pontos nevrálgicos que definirão o destino dos réus. Em todos os casos, negou-se a responder. A sabatina foi interrompida e adiada, como queria a oposição, para depois das eleições municipais. "Faz parte do jogo democrático", disse Zavascki.

No passado recente, apenas a sabatina do ministro Gilmar Mendes repetiu os mesmos contornos de conflito entre o governo Fernando Henrique Cardoso e o PT. Mendes era advogado-geral da União e sua indicação foi atacada por petistas. Além da polêmica pontual, a sabatina foi uma sucessão de respostas evasivas. Os senadores perguntaram sobre assuntos sob julgamento na Corte. A resposta foi protocolar: "Não posso me manifestar sobre assuntos que estão em julgamento".

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