Antes de encontrar Dilma, Maia desarma 'bombas' na Câmara

Petista se reuniu com líderes partidários e tirou projetos polêmicos da pauta horas antes de ir jantar com presidente

DENISE MADUEÑO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2012 | 03h05

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), chegou ao jantar com a presidente Dilma Rousseff na noite de ontem sem os polêmicos projetos e os atritos com o governo registrados na semana passada. Antes do encontro, Maia e os líderes partidários haviam definido uma pauta de votações na Casa moldada bem aos interesses do governo. Até o recesso, no dia 18 de julho, a previsão é a de que o plenário vote apenas medidas provisórias e um único projeto tratando de segurança aos juízes que atuam com decisões sobre o crime organizado.

Reclamações. Na semana passada, com a pauta livre de MPs, o governo escalou ministros em caráter de urgência para barrar as votações na Câmara e, com isso, evitar a aprovação de projetos com impacto nos gastos públicos. Os projetos entraram na pauta em meio a reclamações dos aliados com o tratamento dispensado pelo governo, como falta de preenchimento de cargos com indicações políticas e o não cumprimento da promessa de liberação de recursos para obras nos municípios incluídos no Orçamento do ano passado por meio de emendas parlamentares.

A movimentação parlamentar fez com que a presidente Dilma telefonasse para Maia na quarta-feira passada e o convidasse para o encontro de ontem.

Harmonia. O presidente da Câmara contesta as divergências com Dilma, afirma que a relação com a presidente é de harmonia e que não há, nem nunca houve, problema nenhum entre eles.

"A presidente me agradeceu pelas votações do semestre e aproveitou para dizer que precisávamos conversar sobre política do País e me convidou para o jantar", contou Maia. "Vi que disseram que ela me chamou para me enquadrar. É um absurdo! Isso não dialoga com a realidade", completou Maia, ontem, antes do jantar.

O presidente da Câmara divulgou, ontem, um artigo contestando as críticas pela pauta da semana passada e negando as notícias de que a Câmara estaria chantageando o governo com os projetos para obter em troca liberação dos recursos de emendas parlamentares.

"Insistem em afirmar, apesar dos seguidos desmentidos, que esta seria uma pauta proposta por este presidente, apenas por estar contrariado com o não atendimento de reivindicações de cargos no governo, o que, afirmamos mais uma vez, não é verdade", disse Maia.

"Estamos muito bem representados no governo com os ministros do meu partido e com a minha presidenta", afirmou. "Os projetos pautados possuem forte apelo junto à sociedade, completo apoio do parlamento e aguardavam apenas uma oportunidade para entrar na pauta de votações do plenário da Câmara", completou.

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