José Patrício / Estadão
José Patrício / Estadão

Candidatos de SP já fazem propaganda no Facebook; Tatto lidera gastos

Sete dos 14 nomes que concorrem à Prefeitura já impulsionam postagens pagas na rede social

Alexandre Bazzan, Bruno Ribeiro e Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2020 | 14h35

Embora a propaganda eleitoral só tenha início a partir do dia 9 de outubro, ao menos sete dos 14 candidatos a prefeito de São Paulo já começaram a impulsionar postagens pagas no Facebook e no Instagram para divulgar seus nomes. A maioria gastou algumas centenas de reais com a medida, ao contrário do petista Jilmar Tatto, que já gastou mais de R$ 41 mil. As campanhas nas ruas começam neste domingo.

A página de Tatto no Facebook tem 26 mil curtidas, , número menor até do que de candidatas como Marina Helou (Rede), que tem 37 mil. A pouca exposição é o argumento que a campanha do petista expressa para justificar os gastos.

“O Jilmar começou nas redes agora, praticamente do zero, e precisava de mais seguidores. Por isso fizemos o impulsionamento. Nossos adversários já fazem isso há muito tempo”, disse o deputado estadual José Américo Dias (PT-SP), coordenador de comunicação da campanha de Tatto.

O impulsionamento de propaganda dos candidatos não é uma prática vedada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde que, na publicidade, não haja pedido explícito de voto nem o número de candidatura. Uma decisão do ministro Luís Roberto Barroso isentou em 2018 a pré-campanha do então candidato a senador pelo Amapá Gilvam Pinheiro Borges.

O advogado Fernando Neisser, presidente da Comissão de Estudos em Direito Político e Eleitoral do Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP), tem entendimento parecido. Para ele, a prática é legal desde que não incorra em abuso econômico. “Isso vai ser muito analisado caso a caso, conforme for sendo trazido para a Justiça, qual é o cargo, se a pessoa tem renda, porque um sujeito que está desempregado e começa a gastar R$ 3 mil reais todo mês, você tem indício de que está entrando um dinheiro que não é dele”, explica Neisser.

O teto de gastos para as campanhas em São Paulo será de R$ 51.799.383,68 para o primeiro turno, o que deixa Tatto bem distante do abuso econômico. Outros pré-candidatos também anteciparam os gastos nas redes sociais, mas em menor valor. Orlando Silva (R$ 5.460), Andrea Matarazzo (R$ 942), Marina Helou (R$ 1.123), Guilherme Boulos (R$ 374), Levy Fidelix ( menos de R$ 100) e Filipe Sabará (menos de R$ 100) também começaram sentir a temperatura das postagens pagas.

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As primeiras pesquisas de intenção de votos mostram o deputado federal Celso Russomanno (Republicanos) como o candidato a ser batido, com Bruno Covas (PSDB) na vice-liderança, enquanto um pelotão liderado por Guilherme Boulos por uma pequena margem disputa a terceira. Nas redes sociais, entretanto, Covas é o lanterna entre os principais pré-candidatos. A última postagem do prefeito no Facebook foi no dia 10 de abril, ainda no começo da pandemia. O Twitter de Covas, que focou toda sua comunicação no Instagram, está ainda mais abandonado, sua última publicação por lá foi em outubro do ano passado.

Boulos é o único com presença significativa em todas as redes sociais

Na parte de cima dessa tabela vem Guilherme Boulos. Ele é o único candidato com presença significativa em todas as redes sociais, inclusive no TikTok, e também é o que conversa com mais pessoas, ou com o maior número de interações, de acordo com o CrowdTangle, ferramenta do Facebook. Joice Hasselmann e Arthur do Val seguem na cola e têm um número de seguidores maior, mesmo depois perderem muitas curtidas quando se afastaram do presidente Bolsonaro. Para se ter uma ideia, a página de Joice no Facebook perdeu mais de 300 mil curtidas desde que ela desembarcou do governo, mas ela segue como a pré-candidata com maior número de seguidores, com 1.845.353 curtidas.

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Russomanno é o terceiro em número de curtidas, na frente de Boulos, mas até bem pouco tempo suas redes eram voltadas para questões de direitos do consumidor e seguem com uma taxa de interação baixíssima. Os impulsionamentos de Tatto surtiram efeito e ele é o pré-candidato com maior taxa de interações, mas, como o número de seguidores ainda é reduzido, ele conversa com uma parcela pequena dos eleitores nas mídias sociais.

Bolsonaro tinha dito que não apoiaria ninguém no primeiro turno depois de não conseguir colocar de pé seu novo partido, o Aliança pelo Brasil, mas e aproximou de Celso Russomanno e chegou a compartilhar em suas redes sociais um vídeo do deputado sobre a alta do preço dos alimentos. A Advocacia Geral da União fez recentemente uma consulta ao TSE sobre possíveis participações do presidente em atos de campanha e como deveriam ser ressarcidos os gastos de deslocamento.

O professor da Unicamp Rafael de Almeida Evangelista, que estuda redes bolsonaristas, acredita que mesmo sem um apoio formal do presidente, seus simpatizantes podem fazer a diferença na militância digital. “Nas últimas semanas, até os ataques ao PT voltaram com mais intensidade, do mesmo modo como as listas com partidos que eles recomendam não votar”, diz Evangelista. O professor acredita que, especialmente na disputa entre vereadores, os candidatos que manifestarem algum tipo de adesão pública em relação a Bolsonaro e suas pautas podem ganhar visibilidade.

 

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