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Antecipação acua Campos

A entrada em cena de Aécio Neves (PSDB) e a decisão de constituir um novo partido pela ex-senadora Marina Silva, apesar de movimentos esperados, coincidem no tempo por força da antecipação da campanha sucessória pela presidente Dilma Rousseff, sob a coordenação do ex-presidente Lula.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2013 | 02h05

Convencido da inutilidade de insistir em demover o governador Eduardo Campos (PSB) da candidatura em 2014, Lula repete a estratégia de 2010, antecipando-se aos concorrentes em um ano, lançando Dilma à reeleição e já elegendo como adversário o PSDB.

Nesse contexto, reforça a aliança com o PMDB, depois de acenar com a vice para Campos, garantindo a candidatura ao governo de São Paulo, em 2014, a Michel Temer.

Foi a tentativa derradeira de manter o PSB na base do governo.

A antecipação apressou a largada de Aécio, contida pela divisão interna no PSDB, e provocou reação imediata do governador de Pernambuco, beneficiário até aqui da postergação do processo.

Campos colocou PT e PSDB no mesmo saco e cobrou renovação na disputa, a partir de uma pauta popular. A reação dá a medida das dificuldades que enfrentará, a partir de agora, para firmar-se candidato. A começar pela definição formal, que estrategicamente vinha protelando.

Com o cenário posto, não parece possível ao PSB, com seus 26 deputados, manter-se aliado e concorrente por mais tempo, pois o governo precisa não só ampliar o espaço do PMDB, como também acomodar o PSD, com 48 parlamentares, seu sucedâneo na base. A Campos, agora, é ficar ou sair de vez.

Campanha pela TV

O PSB deflagra em abril uma ofensiva na televisão e no rádio para divulgar a imagem do governador Eduardo Campos País afora. De 11 a 18 de abril, serão veiculadas inserções rápidas no horário nobre. O programa partidário, com 10 minutos, vai ao ar no dia 25. Como presidente da sigla, Campos também estará nos programas estaduais. Em maio, ele estrela o programa gaúcho, junto com o líder do PSB, deputado Beto Albuquerque (RS). A ideia é compensar a desvantagem do governador numa campanha antecipada, já que não pode se deslocar livremente pelo País, como a presidente da República ou um parlamentar. É preciso "criar" uma agenda de eventos que justifique sua saída do Estado.

Segundo turno

Um interlocutor de Campos acusou a estratégia do ex-presidente Lula de eleger o PSDB principal adversário na sucessão. "Ele isola os outros,por achar mais fácil ganhar do PSDB", diz. Mas o PSB avalia que pode, com Marina, levar a eleição para o segundo turno.

Fidelização

O vice-presidente Michel Temer tenta convencer a presidente Dilma Rousseff a decidir sobre a reforma ministerial antes do dia 10 de março, para ter "boas notícias" a anunciar na Convenção Nacional do PMDB, dia 2, que o reconduzirá à presidência do partido. Por ora, se contenta com a garantia de que a ala mineira será contemplada com um ministério. A pasta que mais interessa é a dos Transportes. A garantia obedece à estratégia de fidelizar o PMDB.

Caixa

Na reforma administrativa da Caixa Econômica Federal, em gestação, o governo prepara a criação de uma vice-presidência de Infraestrutura. O novo cargo poderá agraciar um nome do PR ou do PSD, na esteira da reforma ministerial, já contaminada por 2014. Atualmente, a Caixa tem 11 vice-presidências, onde já acomodou petistas e peemedebistas.

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