ANJ protesta contra mortes de jornalistas

Crime em Ponta Porã, segundo em quatro dias, faz o País liderar, ao lado da Síria, a escalada de violência contra imprensa

GABRIEL MANZANO, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2012 | 03h02

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifestou ontem em nota oficial "profunda preocupação" com o assassinato do jornalista Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, ocorrida anteontem em Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul. Foram 12 tiros, dos quais seis o acertaram, disparados por dois homens que fugiram em uma moto.

No texto, a entidade alerta para o "alarmante aumento no número de jornalistas executados" no País. O crime de Ponta Porã é o segundo cometido contra repórteres em quatro dias e o quarto em quatro meses, no Brasil. Levantamentos do International News Safety Institute (Insi) indicam que o País foi o oitavo mais perigoso do mundo, em 2011, para os jornalistas (com 5 mortes). Este ano ele está em primeiro, empatado com a Síria.

No dia 9, outro jornalista, Mário Randolpho Lopes, foi morto em Barra do Piraí, no Estado do Rio, numa emboscada em que morreu também sua namorada. Lopes editava uma coluna política em que denunciava autoridades. Já havia sofrido, em meses recentes, duas outras tentativas de assassinato. A nota da ANJ ressalta, diante disso, que "a impunidade é o maior incentivo para que crimes como esse continuem ocorrendo, sejam motivados ou não pelas atividades jornalísticas da vítima".

Os crimes de Ponta Porã e Barra do Piraí mereceram protesto semelhante da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). A entidade alerta para "o que parece ser uma escalada de violência contra jornalistas no Brasil". Dia 4 de janeiro, outro jornalista foi morto em Camaçari (BA) e em novembro um cinegrafista da Band foi baleado numa favela, no Rio.

A Abraji pede "atenção especial" da polícia e "uma investigação célere" para que os ataques não fiquem impunes. Lembra, em seguida, que a violência contra repórteres no ano passado "foi a principal causa para que o Brasil despencasse 41 posições, em 2011, no ranking da ONG Repórteres Sem Fronteiras". Em uma terceira nota, o Insi afirma que "ondas de choque" serão sentidas por todos os profissionais envolvidos com comunicação no País.

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