ANJ condena assassinato de radialista no interior do Ceará

Crítico de autoridades da região, Mafaldo Góis levou cinco tiros quando se dirigia à emissora onde fazia seu programa

O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2013 | 02h05

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgou ontem nota em que condena o assassinato do radialista Mafaldo Bezerra Góis, de 51 anos, ocorrido no dia 22 em Jaguaribe, no Ceará. O radialista, como informa a ANJ, "foi atingido quando seguia de casa para o trabalho, na Rádio Jaguaribe FM. Dois suspeitos em uma motocicleta fizeram cerca de cinco disparos contra o jornalista, causando morte imediata. Anteriormente, ele já havia registrado boletim de ocorrência na Polícia Civil, por receber ameaças de morte, algumas das quais gravadas em seu telefone celular. Góis era conhecido por fazer críticas a políticos locais em seu programa."

Assinada pelo vice-presidente da ANJ e responsável pelo Comitê de Liberdade de Expressão, Francisco Mesquita Neto, -diretor presidente do Grupo Estado, a nota cobra, em seguida, a apuração do episódio pelas autoridades: "Diante das evidências de que o crime esteja relacionado ao seu trabalho como jornalista, a ANJ espera que as autoridades investiguem, o mais rapidamente possível, o caso, de forma a apurar devidamente o ocorrido, identificar os autores do crime e tomar as providências cabíveis para o seu julgamento, a fim de que a impunidade não sirva de motivação para mais outros crimes contra jornalistas no exercício de sua profissão."

Cinco tiros. O radialista dirigia-se para o trabalho na Rádio Jaguaribe FM, no centro da cidade, onde apresentava um programa político, quando, segundo testemunhas, cinco tiros. Teve morte imediata - os disparos lhe atingiram a cabeça, os braços e as costas. Nenhuma das cápsulas foi localizada, mas tudo indica que os tiros partiram de um revólver calibre 38. A suspeita da polícia local recai sobre dois pistoleiros tenham cometido o crime - e que fugiram numa motocicleta. A polícia diz já ter identificado os dois suspeitos e tem indícios de que o crime foi ordenado de dentro de um presídio em Fortaleza. Uma das hipóteses é que o mandante seja um traficante de drogas que atuava na região do Vale do Jaguaribe.

Sabe-se que Mafaldo - que foi levado até Iguatu, no interior do Ceará, onde foi sepultado - já havia registrado queixa na Polícia Civil, dizendo-se ameaçado de morte. A versão ganhou força com a descoberta de mensagens com ameaças contra ele, localizadas em seu celular. Um inquérito foi aberto pelo titular da Delegacia Regional de Jaguaribe, Edmar Granja, para apurar o crime.

Críticas. Em seu programa, Góis vinha fazendo críticas a políticos locais. Ele era popular e seu programa tinha grande audiência na região. A diretora artística da Jaguaribe FM, Jaqueline Leite, informou que seu programa era o mais ouvido da emissora. Ele ia ao ar de 11h ao meio-dia.

A morte do radialista cearense é a primeira ocorrida no País, em 2013, claramente relacionada à sua tarefa como jornalista. No ano passado, com 4 vítimas fatais, o Brasil foi considerado pelo Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ), de Nova York, o quarto pior país do mundo para o exercício do jornalismo, atrás de Síria, Somália e Paquistão.

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