Aníbal critica Haddad, mas não poupa Kassab

Pré-candidato do PSDB diz que PT erra ao insistir com ministro na eleição e que resultados de Kassab estão abaixo do esperado

FLÁVIA DANGELO , ESTADÃO.COM.BR, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2011 | 03h03

O pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo e secretário estadual de Energia, José Aníbal, faz coro com o ex-governador José Serra sobre a escolha do ministro da Educação, Fernando Haddad, para disputar a eleição municipal pelo PT: foi um erro.

Segundo ambos, Marta Suplicy era o nome mais forte do adversário para a eleição. "Se você comparar a situação hoje, o Serra tem toda a razão. As pesquisas de intenção de voto indicam que a Marta tem uma posição forte", diz Aníbal, referindo-se aos mais recentes levantamentos de intenção de voto, que colocam a senadora na liderança.

Na avaliação do tucano, Haddad não tem o perfil do candidato ideal para o eleitorado paulistano e, relembrando a confusão que o ministro fez ao se referir ao Itaim Paulista (zona leste) como o Itaim Bibi (zona oeste), diz que ele "insiste em errar". "São Paulo certamente terá uma resistência grande a um candidato que sequer tem familiaridade com as regiões da nossa cidade e que, por último falou essa bobagem, sobre a cracolândia e a USP", disse Aníbal, em entrevista à TV Estadão.

Anteontem, Haddad comentou a desocupação da reitoria da USP pela Polícia Militar e disse que não se pode tratar a universidade como se ela fosse a "cracolândia", área degradada ocupada por viciados em crack no centro da capital paulista.

O ministro, segundo Aníbal, trabalha contra as prévias no PT por ter o apoio de Lula. "Ele (Haddad) foi ungido pelo Lula, conseguiu a renúncia de Marta e Eduardo e agora não quer mais prévias", avalia. No entanto, o tucano afirma que o ex-presidente não é um bom puxador de votos em São Paulo. "Lula é uma figura com muito prestígio, mas a capacidade dele com relação a São Paulo tem sido muito limitada. O PT não ganha eleição aqui."

A despeito dos ataques aos adversário, Aníbal também tem restrições ao prefeito Gilberto Kassab (PSD), aliado dos tucanos na administração municipal. "Kassab tem feito um governo operador focando desafios e a questão da mobilidade, mas o resultado não foi o que se esperava", diz.

Prévias. Para Aníbal, o fato de quatro tucanos manifestarem vontade de concorrer a prefeito da capital não significa que exista falta de consenso na sigla. Pelo contrário. "Não há guerra. Nós estamos operando com convergência."

Embora trabalhe por uma aliança ampla, como ele mesmo diz, o PSDB deve fechar acordo com todos os partidos que participam do governo de Geraldo Alckmin. Para ele, o DEM e o PSD entram no rol de alianças, embora ele dê preferência ao DEM, pela "parceria histórica".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.