Hugo Cordeiro
Hugo Cordeiro

Anastasia encerra campanha em Mariana, mas programa de governo não prevê ações na cidade

Candidato tucano lembrou o maior desastre ambiental da história no Brasil e falou em fazer a Samarco funcionar novamente

Jonathas Cotrim, O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2018 | 22h57

MARIANA (MG) - O candidato ao governo de Minas Gerais pelo PSDB, Antonio Anastasia, realizou nesta quinta-feira, 4, o último comício de sua campanha em Mariana, palco do maior desastre ambiental fa história do País, causado pelo rompimento da barragem de Fundão. Mesmo mencionando a catástrofe no evento, o senador não tem nenhuma ação prevista em seu plano de governo relacionada à recuperação das comunidades atingidas nem propostas específicas para a cidade.

Apesar disso, durante o discurso no comício - realizado no último dia permitido pela legislação eleitoral para a este tipo de ato público - Anastasia lembrou da tragédia mancionando o desemprego provocado pela paralisação das operações da Samarco. "Nós teremos novamente a Samarco funcionando, teremos empregos e o clima de normalidade de volta à cidade", prometeu o tucano.

Anastasia afirmou que atuou no Senado para alterar uma lei que direciona as multas ambientais para o governo federal, para que parte "substancial" dos acordos passasse a ser enviada para o munícipio atingido. Além disso, o candidato fez críticas ao principal adversário na disputa eleitoral, o atual governador de Minas, Fernando Pimentel, do PT, por ele ter, segundo o tucano, retido repasses do governo estadual para as prefeituras.

De acordo com a assessoria de imprensa de Anastasia, seu plano de governo foi montado com diretrizes gerais e sem prever ações específicas para determinadas regiões ou situações. A ideia de encerrar a campanha em Mariana estava relacionada com o fato da cidade ter sido a primeira capital do Estado.

Anastasia não falou sobre a recuperação de comunidades em Mariana, como Bento Rodrigues, que foi destruída pelo fluxo de rejeitos que vazou da barragem rompida. "Foi um grave acidente, mas as medidas principais já foram sendo adotadas ao longo desse período. Agora temos de por para frente e fazer voltar a Samarco", disse o senador ao Estado.

Em novembro de 2015, a barragem de rejeitos de mineração da Samarco - que é controlada Vale e pela multinacional anglo-australiana BHP Billiton - rompeu, provocando uma enxurrada de lama que devastou nove comunidades na área rural de Mariana, matando 19 pessoas. Os rejeitos provocaram o maior desastre ambiental da história brasileira.

Na última quarta-feira, 3, o Ministério Público de Minas Gerais chegou a um acordo com a Samarco, segundo o qual as mais de 380 famílias prejudicadas pela tragédia deverão negociar os valores da indenização diretamente com a Fundação Renova,  organização formada por representantes da mineradora, suas duas controladoras e do setor público.

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