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Anastasia e Pimentel trocam acusações sobre culpados pela crise financeira de MG

Em debate, adversários continuam estratégia de comparar governos e divergiram sobre a ‘culpa’ pela crise

Jonathas Cotrim, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2018 | 12h09

BELO HORIZONTE - O segundo debate entre os candidatos ao governo de Minas Gerais, que se estendeu até a madrugada desta quarta-feira, 19, foi marcado por um "empurra-empurra", protagonizado pelo atual governador, Fernando Pimentel (PT), que tenta a reeleição, e pelo postulante do PSDB, Antonio Anastasia, sobre a responsabilidade pela crise financeira que assola o Estado. Educação e segurança pública foram outros temas bastante discutidos pelos demais candidatos. O debate foi promovido pela TV Alterosa, afiliada do SBT em Minas.

Os dois postulantes estão à frente das pesquisas eleitorais e polarizam o cenário político mineiro. Anastasia liderou o último levantamento divulgado pelo Ibope, divulgado no dia 17 de setembro, com 33% das intenções de voto, enquanto Pimentel apareceu na segunda colocação, com 22%. Romeu Zema, do Novo, está em terceiro, com 7%, mas não foi ao debate por conta da ausência de representação de seu partido no Congresso Nacional.

Pimentel procurou questionar o rival  do PSDB sobre as gestões anteriores, de Aécio Neves e do próprio Anastasia, entre 2003 e 2014. "Ele omite e fica parecendo que tudo é responsabilidade dessa gestão", afirmou. Pimentel também lembrou da participação do opositor no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, como relator do impedimento no Senado.

Já Anastasia pediu para que o eleitor "comparasse" as gestões e afirmou que em seu governo o pagamento dos salários dos servidores não atrasava. O candidato do PSDB chegou a dizer que Pimentel deveria ter sofrido uma intervenção federal, por ter atrasado nos repasses para as prefeituras do interior do Estado. "Estamos diante de um caso grave, é uma quebra do princípio federativo", disse o senador.

O candidato do MDB, Adalclever Lopes, em quarto nas pesquisas, com 3%, João Batista Mares Guia, da Rede, em quinto, com 2%, além de Dirlene Lopes, do PSOL, e Claudiney Dulim, do Avante, ambos com 1%, também participaram do debate.

Mares Guia e Dulim foram os mais críticos aos líderes nas pesquisas. O candidato da Rede afirmou que Pimentel e Anastasia "vivem em realidade paralelas", enquanto o postulante do Avante disse que "PT e PSDB se revezam no poder e ficam trocando a culpa pelo descaso".

Em sua primeira participação nos debates, Adalclever Lopes, tentou se firmar com um discurso de "terceira via". "Essa guerra entre PSDB e PT é que destrói Minas", disse. O candidato do MDB assumiu a cabeça da chapa após o ex-prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (ex-PSB), desistir da candidatura.

Dirlene Marques lembrou a tragédia de Mariana, com críticas a Fernando Pimentel. "Aquilo foi um crime e não teríamos tido o comportamento do Pimentel de flexibilizar a legislação ambiental", afirmou a candidata do PSOL, que procurou focar em temas como educação e direitos das mulheres.

Imagens. Ao contrário do primeiro debate, realizado em agosto pela TV Band Minas, Fernando Pimentel deixou de apostar na estratégia de colar sua imagem ao do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato. No entanto, o governador não deixou de mencionar o candidato do PT à presidência, Fernando Haddad, e também a ex-presidente cassada, Dilma Rousseff, que disputa o Senado.

Apesar de terem sido aliados históricos, Fernando Pimentel e Adalclever Lopes negaram que a existência de um atrito entre os dois, que teria resultado na candidatura própria do MDB. No entanto, em nenhum momento do debate foi mencionado o pedido de impeachment contra Fernando Pimentel, que foi aceito pela Assembleia Legislativa. "A assembleia achou melhor que o povo decida quem será o governador. As irregularidades foram sanadas", afirmou Adalclever, que evitou dizer se apoiaria Pimentel em um eventual segundo turno.

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