Analistas veem Obama mais pressionado

Após o duro discurso da presidente Dilma Rousseff na Assembleia-Geral da ONU, que expõe o emperramento das relações Brasil-EUA, o jornal The New York Times lançou nessa quarta-feira, 25, uma pergunta - quem ganha e quem perde com isso? - e convidou cinco estudiosos para respondê-la. Não há um claro vencedor na disputa, mas as análises sugerem que o presidente Barack Obama ficou na defensiva e tem mais coisas a explicar.

Gabriel Manzano, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2013 | 02h02

"Os EUA é que têm mais a perder", avalia o professor Oliver Stuenkel, que ensina relações internacionais na FGV-São Paulo. A atitude brasileira, segundo ele, "pode aumentar a pressão em Berlim, Cidade do México e Nova Délhi (que foram também vítimas de espionagem americana) para seguir o exemplo brasileiro". Ele afirma também que "é improvável", agora, que a Boeing ganhe a disputa contra a Dassault e a Saab, para vender 36 caças a jato ao Brasil - um contrato de mais de US$ 4 bilhões.

Como ele, o cientista político Maurício Santoro, da Universidade Cândido Mendes, vê Dilma numa posição mais segura: cautelosa, ela "adiou a viagem, ao invés de cancelá-la". Mantém a porta aberta ao diálogo, "mas avisa que a espionagem é um problema sério". E deixa Obama "sob pressão para responder às suas cobranças". Santoro pondera, também, que as relações entre os dois lados "são antigas e sólidas" mas embora sejam uma prioridade para o Brasil, "o oposto não é verdade".

Congelada. Opinião contrária é defendida pelo vice-presidente do Conselho das Américas, Eric Farnsworth. Para ele, ao criticar os EUA de modo tão forte e tão público, Dilma "congelou a agenda bilateral e criou condições em que será difícil avançar no curto prazo". Quanto ao cancelamento da viagem, diz ele, "no final vai sair mais caro para o Brasil", já que estreita o caminho para suas "ambições globais" - leia-se, um lugar no Conselho de Segurança da ONU.

Especializada em América Latina, Julia Sweig afirma que o episódio "revela as fraquezas das relações Brasil-EUA". Mas ela avisa que Obama está em situação mais delicada: se ele diz que vai rever o modo com atua sua inteligência, "tem explicações a dar ao povo e às empresas" de seu país. E o analista João Augusto de Castro Neves, do Eurasia Group, entende que só houve problema porque a denúncia da espionagem veio num momento "muito ruim". Ele também adverte que, para o Brasil galgar os degraus do poder global "é crucial" o reconhecimento da "última superpotência" da política mundial.

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