ANÁLISE: Singularidade da disputa paulista

Não há candidato de oposição neste segundo turno entre os concorrentes ao governo de São Paulo

Maurício Fronzaglia, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2018 | 05h00

A mais recente pesquisa Ibope para o governo de São Paulo mostra um empate técnico entre os dois candidatos: João Doria, do PSDB, e Márcio França, do PSB. A acirrada disputa é, na verdade, a expressão de uma singularidade deste pleito: não há candidato de oposição neste segundo turno. Ambos representam, ainda que de maneiras distintas, a continuidade dos governos tucanos.

Doria teve ascensão fulminante na última eleição municipal, triunfo poucas vezes igualado na história do partido. Naquele momento ele representou a renovação da sigla e, em certa medida, da própria política, mostrando-se um outsider que não traria vícios e defeitos dos políticos de carreira e um exemplo da eficiência da forma de gestão da iniciativa privada que seria, finalmente, implementada na gestão pública. Este capital político, no entanto, se deteriora a partir do momento em que renuncia ao cargo de prefeito para concorrer ao governo do Estado. Este movimento foi interpretado por parte do eleitorado como uma ação típica dos velhos políticos que Doria tanto criticou.

França seguiu a carreira de político profissional, foi vereador e prefeito da sua cidade natal, São Vicente, deputado federal, secretário do governo do Estado até ser eleito vice-governador na chapa de Geraldo Alckmin. Soube aproveitar o cargo para articular sua candidatura. Percorreu o Estado e costurou alianças. França fez seu capital sendo político profissional. Por caminhos distintos, ambos se colocam como opção sendo, ao mesmo tempo, uma renovação da política e uma continuidade de governos bem-sucedidos no Estado. Esta ambiguidade não poderia ser mais bem expressada que a divisão mostrada na pesquisa Ibope.

*É PROFESSOR DA UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE

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