ANÁLISE: Segundo turno antecipado

O cenário eleitoral é ainda indefinido e migrações de voto devem ocorrer até o dia 7 de outubro

Maurício Fronzaglia*, O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2018 | 05h00

Os resultados da pesquisa presidencial divulgados nesta quarta-feira, 3, deixam abertas as possibilidades de antecipação do voto que seria dado no segundo turno para o primeiro turno. Seria a realização do chamado voto útil que tem, aliás, longa história política entre nós.

Em uma eleição de dois turnos este apelo tem maior efeito já que a escolha fica reduzida a dois candidatos e muitos eleitores fazem sua escolha tendo como objetivo que um candidato específico não seja eleito. Pode-se dizer que o voto útil seria a vitória da prioridade negativa: a prioridade é a derrota de um candidato. Contudo, há exemplos de movimentos de polarização que já acontecem no primeiro turno. A eleição de João Doria para a Prefeitura de São Paulo, em 2016, seguiu esse padrão. A disputa que estava embolada caiu nas mãos de Doria quando o eleitorado antipetista percebeu o crescimento de Fernando Haddad e a possibilidade de um segundo turno acirrado entre PT e PSDB. Então, eleitores de Celso Russomanno e Marta Suplicy migraram para Doria já no 1.º turno. A força propulsora do voto útil foi, naquela ocasião, o antipetismo.

O atual momento da disputa presidencial parece semelhante. Diante do medo da volta do petismo, o eleitorado que hoje se encontra disperso em um amplo centro político dividido tenderiam a migrar, já no primeiro turno, para a candidatura de Jair Bolsonaro. A candidatura do PSDB parece perder força de forma lenta e constante. O resultado de 7% é o pior das últimas pesquisas. É mais do que provável que o destino destes votos esteja à direita do candidato tucano.

Haddad oscilou dois pontos para cima e Ciro Gomes, um ponto para baixo. O cenário é ainda indefinido e migrações de voto devem ocorrer até o dia 7 de outubro. Desta forma, podemos ter um segundo turno (efetivo ou ensaiado) acontecendo já neste próximo domingo.

*DOUTOR EM CIÊNCIA POLÍTICA, É PROFESSOR DO MACKENZIE

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